não conte para a mamãe

Sou o Neto, diretor de criação da Bullet e o @Neto no twitter.

Não sou o Neto que comenta na Bandeirantes, não sou o pagodeiro que bate em mulher.

E esse é o Não Conte Pra Mamae, meu tumblr.

Quem pode falar mal da Luzinete?

Carlyle como bom inglês, ama o futebol.

Esse ano, veio assistir a Copa no Brasil.

Nem a desclassificação da Inglaterra reduziu seu amor.

Sujeito viajado, nunca tinha estado na América do Sul.

Pensando bem, nunca esteve abaixo do Equador, veja você.

Se hospedou no Hyatt da Marginal.

Todo dia de manhã, lia um fac-símile da Folha, em inglês.

Carlyle gosta de conhecer o cotidiano dos países que visita.

Nessa manhã, uma manchete chamou sua atenção na página policial (que lia sempre, preocupado com a violência brasileira, alardeada nos jornais britânicos).

Era a história de Lúcio.

Lúcio entrou no boteco de cabeça baixa e foi direto para a mesa de snooker ao fundo.

No caminho gritou, sem olhar:

- Junior, manda um bauru e uma cerveja, faz favor.

Sentou-se ao lado de Airton, numa cadeira vermelha de metal.

Começou a falar sincopado, olhando para a mesa de snooker, como se estivesse seguindo um longo diálogo interrompido na véspera, ou lendo um script num monitor, enquanto alisava a barba no sentido oposto dos pelos.

- Um dia ainda dou na cara dessa mulher…juro por deus…puta que pariu rapaz…o que um homem tem que aguentar não é fácil nessa vida. Acordo às cinco da manhã, tomo uma bosta dum pingado de café enquanto ela tá lá dormindo feita uma filha duma puta. Pego ônibus lotado. Três. Chego na porra da firma e trabalho feito escravo. Almoço uma comidinha xexelenta…

No snooker, Wellington mata a marrom, prepara para a seis, mata a cinco e encaçapa a branca. Estica o taco no placar de madeira e desliza as contas de plástico branco:

- Somei oito. - anuncia.
- Sete na caçapa do fundo. - canta Merval.
- Próxima sou eu e o Lúcio. - anuncia Airton antes da tacada.

Lúcio continuou a ladainha:

-…passo a tarde fazendo conta pro porra do patrão ganhar dinheiro. Aí toca 3 condução de novo de volta pra casa. E compra leite. E compra pão e quando chego em casa ainda tem que ouvir merda? Isso é viver? Vamos pra praia no final de semana? - fala em falsete - Sabe o que a vizinha falou? Sabia que o noivo da fulana deu um colar pra ela?…tem que aguentar isso? - Lúcio pergunta sem olhar para o lado.

- Arran. - Airton respondeu automático atento ao jogo.

A bola sete caiu sem ruído. Volta para a mesa. Merval prepara a seis para a caçapa oposta, no fundo à esquerda.

- …e eu abro a geladeira e o que que tem para comer? Nada. Não passou nem no hortifruti. Nem fez um arroz, um picadinho. Nada. Porra. Será que isso é viver? Trabalhar para escutar merda enquanto ela passa o dia no salão fazendo a unha das comadre e não faz nem uma porcaria dum picadinho?

Wellington e Merval terminam o jogo ao mesmo tempo que o bauru chega com a cerveja.

Airton se levanta e escolhe seu taco com cuidado. Rola-o sobre a mesa. Todos os tacos são imprestáveis. Tortos e sem ponta. Mas ele escolhe com atenção cirúrgica. Decide por um. Passa o giz na ponta de madeira gasta. Esfrega talco entre o polegar e o indicador esquerdos. Lúcio ainda não se levantou.

Wellington senta no lugar onde estava Airton e dá um gole na cerveja de Lúcio, sem pedir. Lúcio continua falando, sem se importar com o novo interlocutor.

- Aí, no tempo que eu levo para escovar os dentes, a filha da puta da Luzinete já pega no sono roncando alto. Vou te contar. E lá vou eu tudo de novo no dia seguinte. Porra. É de fuder essa vida. - dá a primeira mordida no bauru depois de uma breve pausa.

Wellington move a cabeça afirmativamente, como se estivesse concordando com tudo. É um rapaz de pouco mais de vinte anos. Assistente administrativo num escritório de contabilidade. A última frase, o fato de Lúcio se queixar de não fazer sexo com sua mulher, foi o que mais chamou sua atenção no desabafo do amigo. Pensou em como a vida de Lúcio é mesmo triste. Casado com um mulherão, mas incapaz de ser feliz.

Então acontece. Quase sem pensar, Wellington deixa escapar.

- É … a Luzinete nunca me enganou. Safada.

Lúcio volta-se lentamente na direção do amigo.

Wellington não teve chance de ver de onde veio o golpe. Uma garrafada de cerveja seca, na cara. Não era para tanto, nem seria fatal se a garrafa não tivesse partido no momento do impacto. Morreu na ambulância do SAMU.

Carlyle fechou o jornal e olhou o trânsito na Marginal.

Justo nessa hora, trouxeram a conta.

Enquanto Carlyle entregava seu cartão de crédito Barclay’s, o garçom perguntou simpático:

- Are you enjoying your stay in Brazil, sir?

Carlyle, então, fez um balanço mental da viagem até ali.
Lembrou do aeroporto inundado em Brasília.
Lembrou das malas que extraviaram e foram parar em Cuiabá.
Pensou nas duas horas que passou esperando o taxi em Cumbica.
Nas favelas que viu pela janela do trem a caminho do Itaquerão.
Na poluição do Pinheiros e do Tietê, cheios de detritos flutuando.

Mas quando ia responder, lembrou da sinceridade de Wellington.

- I’m loving it, my friend - respondeu sem pestanejar - Oh, yes indeed.

Melhor assim.

120 minutos no Inferno

No dia em que a Argentina enfrentou a Suíça, Kennedy resolveu assistir ao jogo com seus amigos, no Inferno.
Entrou no elevador e sempre educado, cumprimentou o ascensorista.
- Bom dia, Ayrton.
- Bom dia, John. Subsolo?
- Isso.
- Hoje vai assistir ao jogo lá embaixo, é?
- Vou. Os meninos me convidaram…mais animado, né? E você?
- Acho que vou ver com o Fangio. Mas ele fica insuportável quando a Argentina ganha.

Kennedy não gosta do Inferno.
Os corpos nus espalhados pelo chão, o cheiro de enxofre, a lama e Wagner tocando a todo volume não são adequados para um homem de sua estirpe.
Não fosse por Marylin, não desceria nunca.

Mas assistir aos jogos decisivos no Paraíso, é um porre. Tudo verde e amarelo, aquela decoração de São João, a aquarela do Brasil tocando no loop.
E ainda tem Deus desfilando com a Canarinho, pega até mal.

Por isso, para assistir campeonatos não tem lugar melhor na Eternidade do que o Inferno, onde derrotas e vitórias são comemoradas com a mesma intensidade.
E quando joga a Argentina, então, o Capeta bota fogo no lugar.
Distribui ninfas para todos, libera o consumo de drogas, até álcool pode ser consumido, desde que longe do fogo.
Então, mesmo não entendendo muito de soccer, JFK decidiu que a perspectiva de ver o Tinhoso sofrer com a eventual desclassificação argentina valia o transtorno.

O teatro onde assistiriam o jogo era magistral.
Colunas com centenas de metros, a luz vermelha, a fumaça, Stravinsky regendo o chill in. Esse Danado sabe criar expectativa, pensou.
Na plateia apenas chefes de estado, exceto Che Guevara, que por ser argentino foi liberado vestindo a camisa do Messi.
Kennedy tirou o convite do bolso do sobretudo e o entregou para a hostess:

- Olá John…
- Olá Maria…espero que o lugar seja bom.
- Para você sempre o melhor, John. - Maria Callas conhecia qualquer teatro como a palma de sua mão.

Os dois caminharam lentamente para o lugar marcado, tantos eram os conhecidos a serem cumprimentados. Churchill ofereceu um charuto, Mao fez uma continência desajeitada, Thatcher cochichou algo em seu ouvido. Roosevelt conversava com Stalin.
Kennedy procurava se enturmar entre Getúlio Vargas, Khomeini e Perón, quando um nanico subiu na cadeira e gritou:

- John! John! Aqui do meu lado! Guardei para você!!
- Ah não…Adolph é um chato, me livra dele Maria - implorou tarde demais.
- É o preço da fama, John - Callas riu e entregou o convidado para o austríaco.

Por ter se refugiado na Argentina depois da guerra, o führer se considerava Argentino por gratidão.

- Sentate acááá Juanito. Hoy vamos a destruir estos quesitos de miércoles!

Vai ser um longo jogo, pensou.

De repente as luzes se apagaram.
Dos falantes, os primeiros acordes de “Eye of the Tiger”.
Um holofote no fundo do teatro anunciou a chegada do dono da festa.
Antes, entra sua corte:
Em túnicas vermelhas, Ray Conniff e seu coral, os astrólogos, os autores de livros de auto-ajuda, os políticos corruptos e os militantes radicais.
Sobe a música.
Lúcifer surge, único.
A seus pés, Linda Lovelace, Maria Schneider e Sandra Brea, nuas como num quadro de Frank Frazetta.
Pausa dramática.
Dois telões ao lado do palco revelam sua face num close, cabelos ao vento.
É ele.
Maradona.
O Diabo ergue a mão direita, num soco no ar.
A plateia vai ao delírio.

- Mano de Dios! Mano de Dios! Mano de Dios! - gritam em êxtase.

O Demônio caminha deixando um rastro de fogo até seu lugar.
Abrem as cortinas de veludo e ouro.
Num telão de leds gigantesco, o jogo vai começar.

Fade out.

120 minutos depois.

Fade in.

A porta do elevador abriu, Kennedy entrou, bêbado, abraçado a Marylin e Jackie.

- Desculpe John…mas elas não podem subir. Você conhece as regras.

JFK beijou as duas e se despediu.
As portas se fecharam.
O presidente americano mal consegue se manter em pé.
Ayrton e Kennedy sobem em silêncio.
Os dois já sabem o que os espera.
Hoje Mercedes Sosa não deixa ninguém dormir em paz.

O Sorriso do Ronaldo

Quando eu era criança, meu pai tinha um amigo chamado Alfredo.
Alfredo tinha um filho, chamado Ronaldo.
Nunca gostei deles.
Nem do Alfredo, nem do Ronaldo, nem da irmã e da mãe do Ronaldo, de quem não me lembro os nomes.
Acho que eles também não gostavam de mim.
Não saberia dizer o porquê da minha antipatia pela a família toda.
Moravam longe, numa casa cuja obra nunca estava terminada.
No quintal da casa em obras, tinha sempre cimento e tijolos.
A casa era lá perto da Guarapiranga.
O Alfredo era amigo de infância do meu pai.
Então meu pai o ajudava a construir aquela casa eterna, por infinitos finais de semana.
Ajudava empilhando os tijolos, cimentando as paredes, passando massa, pintando.
E aquela obra seguia, glacialmente lenta.
Ano após ano.
Enquanto isso, Ronaldo e eu, muito a contragosto dada a antipatia mútua, brincávamos de bola de gude ou um pouco mais velhos, ouvíamos discos do Jackson Five para passar o tempo.
Eu não gostava do sorriso do Ronaldo acima de todas as coisas.
O desenho dos lábios, a forma dos dentes, sei lá.
Me dava nos nervos aquele sorriso.
Um dia, lá pelos meus 14 anos, em casa, sorri para o espelho depois de escovar os dentes.
E como numa versão suburbana do Retrato de Dorian Gray, eu vi o sorriso do Ronaldo em mim.
Estava lá, impávido no meu rosto.
Que peças a cabeça da gente nos prega, não?
Desse dia em diante, nunca mais consegui sorrir assim, de boca aberta e dentes oferecidos.
O sorriso do Ronaldo está, desde os meus 14 anos, à espreita de meus melhores humores.
Claro que não racionalizo essa história toda quando sorrio.
É muito pior que isso.
O sorriso do Ronaldo, ou melhor, o medo do sorriso do Ronaldo já está empoleirado no meu inconsciente.
Só as vezes, numa foto ou num espelho ele volta para me assombrar.
Hoje alguém tirou uma foto minha.
Me mandou por email, como gentileza.
E estava lá.
O maldito sorrisão de Ronaldo.
E pensar que Alfredo já morreu.
Ronaldo, se não me engano, também já morreu.
Mas a minha dificuldade em sorrir continua viva.
Por que estou falando isso tudo?
Sei lá.
Talvez para ver se exorcizo essa maldição.
Talvez para ver se você tem alguma história parecida.
Uma idiossincrasia. Um trauma. Uma tristezinha qualquer, causada exclusivamente por seus próprios preconceitos.
No fundo acho que todos temos, não?
Pode contar que eu não vou rir.

Já ouviu Xscape, o álbum novo do Michael Jackson?

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Mamãe e Papai

Em sua coluna de hoje na Folha de São Paulo, Nizan afirma que “não faz sentido mamãe e papai discutirem a relação, brigarem, diante dos convidados”, durante a festa de aniversário.

A metáfora refere-se à enorme probabilidade de nossa Copa ser marcada (e lembrada) por intensas manifestações.

Poderia defender um ponto de vista contrário me valendo da mesma metáfora: se o filho está doente, mamãe e papai – que não são ricos – deveriam se preocupar em curá-lo, investir em remédios, ao invés de gastar uma fortuna no buffet infantil.

Mas não quero ser hipócrita. A Copa deveria ser motivo de orgulho para nós.

Só que não foi.

Na verdade, esta Copa está se transformando no maior escândalo financeiro que este país (assim mesmo, em caixa, e cabeça, baixa) passou em sua história.

Ao contrário do que afirma Nizan: não é a Copa de um povo, é uma Copa da mesma minoria ganha-ganha que controla este país.

Essa Copa tirou do Brasil fortunas que deveriam ter sido investidas em infraestrutura básica.

Em 2007, quando a Copa foi anunciada, os gastos estimados seriam de 1.1 bilhão de dólares. Quanto gastamos? Até agora mais de 12 bilhões de dólares. Dá para imaginar quanto é isso? Te dou um dado: 70 países têm um PIB menor do que o que gastamos na Copa. Acho que isso ajuda a entender o colosso de dinheiro que se gastou para esse evento.

O ponto não é ser contra a Copa ou contra o turismo.

O ponto é não ser conivente com mais esta roubalheira.

Num país onde 49% dos lares não têm saneamento básico.
Num país onde 3,6 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola.
Num país que investe menos em saúde que Colômbia, Venezuela, Argentina, Chile e México.

Tomara que as manifestações se espalhem pelo país, mostrando para o mundo que somos um povo sério sim. E que somos comprometidos com a luta por uma vida melhor, mas que, porque somos jovens, ainda não aprendemos a escolher nossos líderes.

E somos roubados, sistematicamente.

Tomara que as manifestações durante a Copa mostrem para o mundo que a gente precisa de ajuda. Precisa de investimentos externos. Precisamos ser vistos como o que somos. Um país cuja qualidade de vida de 80% da população é equivalente à de países da África Subsaariana.

Quebra-quebra não resolve. Nem estou fazendo apologia à violência.

Mas manifestações na Copa são fundamentais para que se utilize o momento em que o Brasil está sob os holofotes do planeta para chamar a atenção para nossos problemas principais. No futuro, quero poder escrever País (em caixa e de cabeça alta), mesmo que para isso tenha que envergonhar mamãe e papai durante a festa.

Elios

Meu avô Elios, assim com S no fim, era Palmeirense roxo. Filho de italianos.
Todo domingo, sentava na mesa da sala de jantar e escutava os jogos baixinho, no rádio com capinha de couro marron Hitachi, sintonizado na rádio Panamericana.
Enquanto isso, minha avó Filomena, a matriarca da família, assistia ao Silvio Santos.
Ele não a incomodava por nada. Apenas erguia os braços em silêncio. E eu sabia que tinha saído um gol do Palestra.
Tinha um monte de piadas prontas.
Zero a zero, para ele, era oxo. Ou quando eu dizia que um jogo estava zero a zero, invariavelmente dizia; “Já?!”
Se o adversário era fraco e era goleado, afirmava sério:
- Também…coitados…jogam descalços!
Aos sábados pela manhã, me levava ao Argêncio, na praça da Sé, para comprar frios. Comprava azeitona preta, verde, mussarela e aquele treco xadrezinho que ninguém gostava.
Nas noites de sábado, minha avó fazia pizza para a família toda.
Fazia a massa, fazia tudo.
Sempre tinha quebra-pau na mesa.
Família italiana, já viu.
Depois do jantar, meu avô que fumava escondido, ia comigo até o portão da casa da rua da Consolação.
Se fosse noite de lua cheia, ele me pegava no colo e declamava:
- Luna, luna, me trae um piato de macarone.
Não sei se é assim que se escreve.
Nem nunca entendi esse verso sem rima.
Mas era assim que me lembro dele falando.
Por causa dele, sou corintiano.
Explico:
A preocupação dele é que o neto gostasse de futebol. Não importava o time.
Nas quartas à noite, algumas vezes me levou ao Pacaembu para ver o Corinthians jogar.
Se fosse Corinthians e Palmeiras, sentávamos na arquibancada do lado do Corinthians. Só depois de velho entendi o tamanho desse gesto de amor.
Meu avô trabalhou até morrer.
Foi banqueiro de jogo do bicho, quando o jogo era permitido.
Depois que proibiram, passou a trabalhar em Lotéricas.
Um dia ele foi almoçar na casa da minha mãe, filha dele.
Dei carona de volta para a Lotérica.
No caminho, passou mal.
Pediu para que eu o levasse na Santa Casa.
Naquele tempo, não existia celular.
Ele deu entrada e foi direto para a UTI.
Só pude ve-lo uma única vez depois disso.
Estava todo entubado.
Disse que ele ficaria bem.
Ele sorriu, mas nunca mais o vi.
Num sábado, 1970 ou 1971, me levou para assistir Corinthians x Santos.
Sentamos no tobogã.
Enquanto os jogadores se aqueciam, ele me disse:
- Netucho - era assim que me chamava - tá vendo aquele sujeito com a camisa 10 do Santos?
- Tô.
- Então, durante o jogo, olha só para ele. Não olha para ninguém mais.
- Por que?
- Porque quando você crescer, vai poder dizer que viu o Pelé jogar.
Muitos anos depois, na casa do Zé Victor Oliva, tive a oportunidade de contar essa historinha para o próprio Pelé.
Não que ele se importasse, cansado que está de todo mundo ter alguma história com ele.
Mas eu contei, vô. O negão sabe do nosso segredo.

One Direction

Estou no Estádio do Morumbi.
Faltam dez minutos para as seis.
Chegou o dia do show do One Direction.
Entro nesse momento num estado de hibernação em pé que terminará apenas amanhã, depois do segundo show.
Sim. Vou levar as meninas nas duas apresentações.
Me julgue.
Não.
Me admire. Eu mereço.
E vou ensinar como fazer, para você que é pai de primeira viagem.
Tenho vasta experiência, depois de horas e horas passadas em pé em shows de Justin Bieber, Katy Perry, Demi Lovato, Hannah Montana e derivados.
Você tem que aprender a desapegar da realidade.
Use esse tempo para reavaliar sua existência e pensar em todos os caminhos do destino que se combinaram para resultar em você, aqui, agora, com os tímpanos em chamas.
Trazer filhas a esse tipo de evento é uma experiência karmica.
Embrace it.
Seguramente haverá uma mãe próxima de você, da sua geração.
Ela vai sorrir, cúmplice, como dizendo “lembra quando eramos como elas?”.
Não caia nessa cilada.
Nem mesmo na besteira de retribuir o olhar.
Você nunca foi assim.
Minha boy band foi Jackson Five, que vi no Anhembi.
Tenho uma reputação a zelar.
De mais a mais, se você retribuir o olhar, a deslumbrada vai entender que encontrou alguém para conversar durante o show.
E não é isso que queremos, acredite.
Fique o mais na sua que puder.
Reduza os batimentos cardíacos e continue atento exclusivamente às suas filhas. Em breve tudo terminará.
Fone de ouvido e carregador extra de celular são um must.
Led Zepellin no talo ajuda.

O Estádio está entupido de adolescentes.
Reconheço algumas da fila da Forever 21.
Agora vieram desfilar suas camisetas de 8 reais no show.
Elas falam “one direction” com uma pronuncia perfeita. É a geração que usa YouTube como player de música.
Aqui é noite de gala.
Usam maquiagem como se fossem adultas. Se aprontaram para serem vistas pelos ídolos.

Inspiro. Expiro.
O telão foi ligado.
Elas estão tão histéricas que gritam e pulam até para o vídeo que mostra onde são os banheiros. Químicos.
Pense na sua princesa usando um banheiro químico.
Inspiro. Expiro.
A esmagadora maioria traz algum item 1D como uma fita ou uma camiseta da banda.
Atrás de mim, uma mãe vestindo uma camiseta “Directioner’s Mother” me olha com cumplicidade.
Evito o olho no olho.
Comigo não, querida.

Por alguma razão que um expert em segurança pode explicar, proibiram a entrada de cartazes. Mas as fãs combinaram de trazer balões verde e amarelo para abanarem na primeira música.
Quem está aqui, comprou ingressos há meses.
Quando comprei, confesso que tive medo que a banda terminasse antes do show.
Mas não.
Acabam de lançar mais um álbum.

Meu pulso está baixo.
Sessenta.
Vou parar de escrever.
Em breve sentirei frio.
Mas a multidão me aquecerá.
Fecharei os olhos e dormirei aqui, em pé.

Quando voltar a mim, será com minhas filhas estapeando meu rosto e gritando:

- Acorda pai! Acabou! Vamos para casa.

Adeus.

A novilíngua online

Tem um episódio de Curb Your Enthusiasm em que Larry David recebe um SMS de uma mulher que diz apenas ” “.
Apenas um emoticon.
Ele vai até ela e pergunta:
- O que é isso?
- O que?
- Isso que você mandou. Dois pontos parenteses.
- Ah… é um sorriso, ué.
- Não mande mais isso, ok? Somos adultos, meu deus.

Que vergonha. Me habituei a usar esses símbolos ridiculos. Já ocorreu a você que toda a literatura, todos os grandes autores da história, os escritores das grandes obras, jamais precisaram desse recurso primário?

Só nós precisamos desse recurso medíocre para corrigir nossa incapacidade de nos expressar por escrito.

Já imaginou como ficariam textos clássicos?

“We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars ” - Oscar Wilde

“Fight till the last gasp ” - Shakespeare

"The reasonable man adapts himself to the world: the unreasonable one persists in trying to adapt the world to himself. Therefore all progress depends on the unreasonable man ” - George Bernard Shaw

Ou que tal:

"O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente. " - Fernando Pessoa

Já tentei me controlar. Mas é como essa mania que tenho de usar reticências…para dar ritmo…vício difícil de perder.

Só que o pior de tudo, o insuportável mesmo, é o hahaha.

Jarbas Agnelli outro dia me citou como exemplo de quem não usa hahaha no texto.

Confesso que nunca tinha notado.

Uso nos comentários, mas nos textos realmente evito.

Hahaha deve ser usado com muita parcimônia. Não é para qualquer um. E tem mais. Hahaha é regido por regras que todo mundo deveria conhecer.

Divido aqui com vocês meu profundo conhecimento deste assunto.

kkkkkkk ou rsrsrs:
O kkk/rsrsrs entrega a idade. Ninguém com menos de 25 anos usa kkkk. Rsrsrs nem sequer é uma onopatopeia. Não é nada. É risada de perua. Se você usa, ta pegando mal. Mude.

Jajajajaja:
A menos que você seja Mexicano, evite.

Hehehe:
Deve ser usado no lugar de um sorriso amarelo. Não é uma risada. É o equivalente a um ta, ta, ta seguido de tapinha no ombro.

Uauauauauaua:
Fica bom usado por mulheres devassas. Se não é seu caso, evite.

hakhajHhsjdnaija:
Tem quem use. Desprezo.

E finalmente o elegante, correto e clássico Hahaha nas suas versões
ha! = sério?
haha = combinado, ok
hahaha = tava brincando
hahahaha = risada standard
hahahahahaha = gargalhada
hahahahahahahahahaha = puxa saco
hahahahahahahahahahahahahahaha = block

Basicamente é isso.

Minhas regras do Facebook

Você deve ter um limite para sua paciência no Facebook.
Eu to organizando o meu.

- pedido de amizade c menos de 5 amigos comuns
e sem inbox simpático = ignorado

- pedido de amizade c menos de 5 amigos comuns
e com inbox simpático = talvez

- pedido de amizade c mais de 5 amigos comuns = aceito

1 x post imbecil = unfollow
1 x post copy/paste sem citar a fonte = block
1 x desconhecido que não entendeu ironia = block
1 x lista do BuzzFeed velha = unfollow
1 x video do porta dos fundos = unfollow
1 x inbox com falsa intimidade = ignorado
2 x comentários estúpidos = block
2 x post com meme velho = unfollow
3 x post com oração, simpatia, horóscopo = block
3 x post com fotos mostrando a língua = unfollow
3 x post com fotos com texto motivacional para limítrofes = unfollow
3 x amigo que não entendeu ironia = unfriend
1 x block = block

Segurança

Sair de um restaurante depois da meia noite e caminhar por vinte quadras, usando o telefone para fotografar o que interessar pelo caminho, sem ter a menor preocupação de ser assaltado, sequestrado, ou exposto a qualquer tipo de crime ou violência.

Cruzar no caminho com jovens, velhos, orientais, árabes, negros, gays, mulheres de mini-saia, todos rindo, sem nenhuma preocupação com a própria segurança, certos de que ninguém será agredido por skin heads, violentados, amarrados a postes ou simplesmente assaltados.

Quanto vale isso?

Nossa vida, a minha e a sua, em São Paulo - para não falar do Brasil todo e sim apenas da cidade que eu vivo - está sendo retirada de nós.

A violência é o novo dragão da inflação, aquele que achávamos que nunca seria derrotado.

Manhattan é a prova que uma grande cidade, uma megalópole, pode sim ser segura se quem a governa tiver vontade política.

A gente precisa organizar greves. Precisa parar a cidade. Precisa organizar manifestações pacíficas de desobediência civil. Precisa parar de pagar impostos. Precisa dar um recado claro de que não queremos mais viver refém em nossas casas e carros.

Só a tolerância zero para a violência vai resolver a situação que chegamos.

Será que não chegou a hora da nossa sociedade receber este mínimo serviço de nossos governantes?

Todos os Partidos que passaram pelo poder na Cidade e no Estado de São Paulo, Haddad, Serra, Kassab, Alckmin, são INCOMPETENTES.

É simplesmente INACEITÁVEL que nos seja roubado o direito de caminhar livremente pela cidade que vivemos.

Vocês, Governador, Prefeito, Secretário de Segurança, Comandante da Polícia Militar deveriam ter VERGONHA de receber os respectivos salários ao final de cada mês.

Sobre Pecados

Eu ando precisando confessar meus pecados.
Quando se acumulam, é assim.
Não cofesso todos porque minhas filhas estão ouvindo.
Mas, imbuído do espírito Pascal, vou revelar alguns e incentivo todos a fazer o mesmo nos comentários.
Vamos fazer deste post um espaço de redenção.
Vamos nos permitir.
Porque não há tempo que volte, amor.
Vamos viver tudo que há para viver.
Vamos parar com esse bomocismo e foto de gatinho que eu sei que vocês fazem bolinha de meleca quando estão vendo televisão sozinhos.

Um, dois e já. Comecei:

- Eu tomo banho demorado. Ah, tomo para cacete e não me encham os pacuás que eu não vou ficar com queijinho entre os dedos do pé para salvar o planeta.

- Eu mando sms dirigindo.Vocês não estão entendendo. Eu escrevo posts dirigindo. Eu mando emails acelerando na Marginal. Eu digito uma porra duma novela dirigindo. Eu sei que estou errado, mas isso é um confessionário. Vocês estão aqui para me absolver, não para me julgar.

- Eu rôo a unha. E a pelinha em volta. E o dedo todo. As vezes eu pego uma pontinha e puxo até sair uma picanha inteira, tenra e suculenta. Mas o mais importante é conseguir cortar uma lua crescente de unha perfeita. Aí ficar fazendo mola com ela no dente até ela voar longe. Isso dá prazer.

- Quando eu tô ansioso com uma campanha que vai ser apresentada, eu aperto joelho até fazer calo. E batuco com força a cabeça quando a gente está criando alguma campanha. E também mordo a primeira falange do indicador esquerdo. Eu tenho essas manias desde que eu era criança e tinha prova. Eu sou um demente.

- Eu faço enroladinho de queijo prato com requeijão, nutella e uma fatia de melancia. Você pagou pelo queijo? Pela Nutella? Pela Melancia? Então me deixa. E me perdoa.

Vai. Se abre nos coments. Um pecado decente, faz favor.

Sobre Rituais

Isso aconteceu com todo mundo?
Ou foi só comigo?
Vou tentar explicar, mas não vai ser fácil.
Estou às portas de completar 50 anos.
E essa mudança aconteceu há, sei lá, uns 30 anos.
Antigamente a vida era mais lenta.
Antes da internet e dessa cachoeira diária de informação.
A gente esperava por dias específicos do ano.
Dias que pareciam marcar a passagem do tempo.
O Carnaval, a Páscoa, o dia das mães, o primeiro dia das férias de Julho, o dia das crianças e finalmente o Natal.
O ano tinha um ritmo diferente, cheio de rituais.
Na casa da minha avô esses dias eram claramente definidos.
Pela iluminação de dia de festa.
Pelos cheiros do que se cozinhava.
Pelos sons.
Pelos rituais que se seguiam, calmos.
Aconteceu com todo mundo isso?
Ou foi só comigo?
Esse rituais, esses tempos, essas luzes, essas receitas
não são mais tão importantes.
O ano não é mais marcado por dias.
É marcado por minutos.
Minuto à minuto tem algo novo para se ler,
para se ver, para se saber.
O timeline do mundo está estampado em nossa cara,
constantemente.
As notificações no celular, apitando, pulando, pedindo atenção.
A lista de quem está online, constantemente atualizada.
Os emais, os inbox, os twits, mudaram o nosso ritmo.
Ou foi só o meu?
Este feriado estou com as meninas.
Acordamos tarde, num feriado que nem sabemos qual é.
Peço o almoço, pelo celular.
Um motoboy vai trazer.
Um almoço genérico, num dia genérico.
As meninas comem tudo direitinho.
Vendo televisão, na folga de um feriado qualquer.
Esfiha de carne.
Kibe cru.
Charutinho de folha de uva.
Na sexta-feira santa.
Me deu uma tristeza isso.
Não tanto pelo religioso.
Sou ateu, afinal.
Mas pelo ritual.
Elas mereciam mais.
Uma pena.

Meu avô.

A memória da gente é esquisita.
Tem coisas que ficam gravadas, para sempre.
Coisas pequenas.
Como a textura dessa camisa na pele.
Eu odiava.
Era quente, incômoda.
Picava.
Lembro como se fosse hoje.
Esse aí é meu avô, o Mentor Senior.
Para você que ainda não acredita que Mentor é meu nome.
O da esquerda.
O da direita sou eu.
Morei 11 anos na casa dele.
O velho Muniz acordava, sentava na cabeceira da mesa da sala de jantar e ficava lá lendo jornal o dia todo.
É. O dia inteiro lendo jornal.
Tédio sente você que fica no computador o dia todo.
Ele se divertia com o Estadão.
Conversava com as notícias.
E fazia palavras cruzadas com um dicionário surrado ao seu lado.
Quando conseguia completar, falava sozinho orgulhoso:
- Essa eu fechei!
E gritava: Lourdes, faz um cafezinho!
Varias vezes por dia minha avó fazia um cafezinho para ele.
Nunca reclamou, ela.
Então ele pegava um baralho, desses miniatura, e jogava paciência.
Quando conseguia terminar, de novo orgulhoso:
- Essa eu fechei! Lourdes, traz um cafezinho.
A noite, assistia o Jornal Nacional, numa TV preto em branca pequena, ao lado da mesa de jantar.
Com ele, nessa TV, assisti as lutas de Muhammad Ali.
E a série completa de Bat Masterson.
“No velho oeste ele nasceu. E entre bravos se criou.”
Durante a semana era essa sua vida.
No final de semana ia para seu barco.
Um Brasil, de madeira, de 40 pés.
O Sagres V.
Como é que essas coisas ficaram arquivadas no meu cérebro?
Se tanta coisa mais importante se perdeu para sempre.
O que é mesmo importante?
Saudade do meu avô.

INVERNO

Acho que hoje é o primeiro dia do ano com cara de inverno.
Céu nublado, friozinho que se sente por baixo da roupa.
Garoa fina.
Graças à deus acabou definitivamente o verão.
Verão é a pior estação do ano.
Verão é aquela estação do ano que elevador cheira a motoboy.
Eu sei que é verão quando vou ao cinema e transpiro na parte de trás do joelho.
Verão traz aquela gente saudável horrorosa que acorda cedo no domingo e coloca fotos no instagram de suas vidas lá fora e seus cachorros mais atletas que eu.
Os cachorros.
Cachorros e humanos de Verão vivem para provocar gente como eu, que tenta viver numa bolha de inverno com o ar condicionado à 16º onde quer que vá.
Eu nasci sem radiador.
Não sei como essa gente consegue viver sem um sistema de resfriamento.
É praia, é sol, é parque, é cachorro correndo, é surf, é frisbee, e essa gente lá. Firme.
Gente nojenta.
Gente suada nas ruas.
Gordas de minissaia e top mostrando os pneus.
Chega!
Hoje não.
Hojé foi diferente.
Todas as banhas acumuladas comendo coxinha e tomando chope no bar com mesinhas na calçada durante o Verão, hoje estão devidamente guardadas dentro de casacos do inverno passado.
Você entra no elevador e o cheiro foi substituído por cheiro de casaco de mulher, armário e perfume, tudo misturado.
Adoro cheiro de armário.
Cheiro de naftalina.
Como é bom naftalina.

Os Dois Lulas

Existem dois Lulas.
Três, se voltarmos até a época da ditadura, mas fiquemos apenas com os dois mais recentes.
Nossos Dr. Jekill e Mr. Hyde.
Dr. Jekill era o Lula deputado.
Aquele que nos revelou que eram trezentos picaretas com anel de doutor.
Aquele que desejava um país mais justo.
Que criticava a oligarquia.
Criticava a burguesia.
Criticava o Governo e prometia mundos e fundos.
Esse Lula ganhou a eleição para Presidente.
Encheu muita gente de esperança (alguns de medo, mas rapidamente mostrou que não havia chegado ao poder para fazer qualquer revolução, só acordos - foi o primeiro sinal de Mr. Hyde).
Dr. Jekill ganhou a eleição, mas infelizmente, quem assumiu foi Mr. Hyde.
O Lula dos conchavos.
O Lulinha paz e amor.
O Lula que se uniu a Sarney e companhia ilimitada.
Alguns dirão que o fez “para poder governar”.
Pode ser.
Nesse país, infelizmente não deve ser possível governar sem conchavos escusos, já que a esmagadora maioria dos nossos deputados não está lá para fazer Leis, mas para fazer negociatas.
FHC mandou que rasgássemos tudo que ele escreveu, de tão difícil que deve ser Governar.
Em troca, acabou com a inflação. Essa que no Governo atual bateu, ontem, 6,15% nos últimos 12 meses.
Lula não mandou que rasgássemos, porque não escreveu nada.
Lula era verborrágico fora do Governo.
Uma vez Presidente, engoliu seus discursos que clamavam por justiça e passou a vomitar o discurso tacanho dos acomodados.
Enterrou a si mesmo na farsa dos picaretas.
Afogou-se nas mentiras que afloravam fartamente na sala ao lado da sua.
Parou de ter opiniões.
Negou evidências.
Decidiu que não decidiria.
Passou a não falar mais coisa com coisa.
Por anos a fio.
Para eleger Haddad, aceitou a condição quase anedótica de Paulo Maluf:
Teria que ir a sua casa e apertar sua mão, para os jornalistas.
Topa tudo por dinheiro.
Patético, Mr. Hyde foi.
Elegeu, para sucede-lo, essa energúmena incapaz de montar uma frase que faça sentido sequer, que dirá dirigir um país.
Vendeu e quase todo mundo comprou, a falácia da Classe C Emergente.
Houve, é verdade, uma melhora real do padrão de vida dos mais pobres.
Mas a razão está muito mais ligada à onda de crescimento dos brics durante a crise mundial.
Onda que graças à completa ineficácia da PasaDilma, mal conseguimos surfar.
Mas Lula, PasaDilma e esse monte de incomPTentes chupa meias do Governo continuam vendendo que foi o Bolsa Quem Quer Dinheiro que mudou o país.
Para a Classe C que não emergiu, falta tudo. Educação, saúde, segurança.
Estão em estado de emergência.
Classe C Emergência.
Recentemente, nesse mundo surreal que Lula criou para nunca mais parar de nos surpreender, apoiaram o pateta do Maduro.
Um estereótipo de generaleco ditador latino.
Tentaram nos convencer que tudo que víamos na Venezuela era mentira.
Anteontem, quando já é insustentável manter esse discurso, Lula pediu que Maduro “dialogue com a oposição”.
É a primeira atitude que ecoa o antigo Dr. Jekill em 12 anos.
Sabem o que aconteceu?
Maduro mandou Lula ficar quieto.
Coisa que deveríamos ter feito há muitos anos.

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