27 Jan

Multiplicador, esse desconhecido.

Quem já vendeu ou comprou empresas de serviço está familiarizado com a ideia de avaliar o preço de um negócio com base num multiplicador.

Um número mágico que, multiplicado pelo lucro da empresa, resulta em seu valor de venda.

Digo “mágico”, porque me chama a atenção como este número parece misterioso, inclusive para gente que deveria estar familiarizada com o assunto.

Recebi, recentemente, um relatório de uma consultoria americana falando sobre quais são os multiplicadores aceitáveis no momento atual da economia, como se esse número fosse sujeito a modismos.

Então achei que poderia ser interessante falar um pouco sobre isso. Principalmente no momento atual, onde a economia mundial parece estar a beira de um colapso inédito na história e - paradoxalmente - estarmos vivendo uma evidente bolha de aquisições/investimento em empresas de Marketing, Digital e Mobile.

Antes de mais nada, é importante entender dois fatos:

1. O multiplicador não é um número impreciso ou subjetivo. Está relacionado à performance da economia num dado momento e pode ser facilmente calculado, como será visto, bastando para isso que se tome como base uns poucos indicadores financeiros amplamente divulgados, mas principalmente se entenda a razão de sua existência e aplicação.

2. Apesar de ser um número exato, pode sim estar sujeito à variações negociais, de acordo com o prestígio, situação economica, passivo, contingências, demanda de serviços, capacidade de suscessão na liderança e uma série de outros fatores específicos - estes sim, muitas vezes subjetivos - característicos da empresa que está avaliando/sendo avaliada.

Isso posto, vamos imaginar a empresa X, especializada em, digamos, aplicativos para iPhone.
Esta empresa foi procurada por um grande grupo de comunicação, interessado em comprá-la.
Passadas as primeiras conversas, chega a hora de se discutir o valor de venda de 100% da X.

Sabe-se que a X é uma empresa saudável, passivo e problemas trabalhistas dentro do esperado (o que prova que este só pode mesmo ser um exemplo fictício).

Sabe-se também que a empresa X apresentou um lucro médio nos últimos três anos de digamos, 2 milhões de reais.

(Aqui vale um parenteses: no passado, o que importava era o NIAT - Net Income After Taxes. Hoje, o número que nos interessa é o EBITDA - Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. O EBITDA deve ser - na maioria dos casos - maior do que o NIAT, o que beneficia o vendedor, mas na verdade, mais do que isso, esta correção é justa pois trata especificamente da performance do negócio, normalizando e possibilitando comparações que excluem variáveis que não estão relacionadas especificamente à competência nas disciplinas que estão sendo adquiridas. Com o EBITDA, pode-se saber se a empresa X é melhor do que a Y na produção e venda de seu produto, excluindo-se custos financeiros do negócio - que à princípio - passarão a ser responsabilidade do comprador)

Muito bem.

Partimos da seguinte premissa (e o multiplicador estará calculado quase que automaticamente):

O que se quer determinar é quanto os sócios da empresa X precisam receber do comprador para que, aplicando o dinheiro no mercado financeiro, recebam os mesmos 2 milhões no final de cada ano.

Assim, na economia atual, pode-se esperar que um investimento relativamente seguro retorne o que? 4 ou 5% ao ano descontada a inflação? Se é isso:

Valor Aplicado x 4,5% = 2 MI
ou =
Valor Aplicado = 2 MI / 4,5% = 44MI

Multiplicador = 44 MI / 2MI = 2MI
ou
Multiplicador = (Lucro x Rentabilidade Financeira%) / Lucro

Aí você dirá “Um multiplicador de 22 é totalmente absurdo. Ninguém pagaria isso”.

Errado.

Absurdo é o momento econômico que estamos vivendo, onde é realmente difícil conseguir boas taxas nos bancos.
Assim, é natural que uma empresa rentável e saudável custe muito mais caro do que no passado.

Alias, o momento é tão difícil que está sendo menos arriscado ter que trabalhar do que aplicar dinheiro! Veja você que tragédia.

Ironia a parte, a fórmula é essa e o valor do multiplicador está definido.
Agora sim, começa a parte

De um lado o comprador dirá:

- O multiplicador será 15, porque estou tirando o seu risco do negócio.

No que o vendedor responderá:
- Negativo. Será 24, porque a X é a marca mais respeitada neste business.

- Mas estou comprando 100% e os sócios vão embora do negócio…então é 16 no máximo.

- Nenhuma empresa agregará para seu grupo como nós. 25.

E assim vai. A negociação poderá se estender por meses.

Mas isso já é assunto para outro post.

Claro que este é apenas um exemplo. Mas espero ter ajudado a esclarecer que o multiplicador pode e deve ser determinado de maneira racional e não está sujeito a variações “temperamentais”. Um item a menos num processo altamente subjetivo e passional.

6 Jan

Quanto você paga para resolver a Cracolândia?

Resolver o problema da Cracolândia passa por 3 possíveis soluções.

A primeira é tirar o drogado da rua. Dane-se a liberdade de ir e vir. Prende e arrebenta. Enfia o drogado numa instituição qualquer onde ele será tratado compulsoriamente. Meses depois, voltará às ruas, curado e seguro de si. Pronto para conseguir um emprego digno e reconstruir sua vida para nunca mais voltar para as drogas. Not.

A segunda é o contrário: tirar o traficante da rua. Aí, que se dane o drogado. Prende e arrebenta o traficante e deixa o drogado apodrecer na rua em sua crise de abstinência. É uma solução muito mais rápida e simples. Afinal, são muito menos traficantes do que drogados. Você tira a fonte de todos os males da rua e em poucos meses está tudo resolvido. Afinal, é impossível que se desenvolvam outras alternativas de acesso à droga. Not.

Finalmente, temos uma terceira via, descrita pelo Maierovitch (http://ncpm.net/D761em seu blog de hoje. A moderna alternativa das narcossalas, dos países desenvolvidos, onde a sociedade arca com o custo de re-socializar o viciado. Custa mais caro, mas é um trabalho multidisciplinar que tem dado certo na Espanha, na Italia e no Canadá, entre outros países. É um trabalho que, evidentemente, só funciona com uma polícia/sociedade que decida ser menos corrupta que a nossa. Não é uma alternativa com 100% de sucesso e é, seguramente, a mais custosa das três. Por outro lado, aborda o problema com uma intenção de solução de longo prazo.

Segundo o texto de Maierovitch, o governo de São Paulo implantou na última quarta-feira, o Plano de Ação Integrada Centro Legal, cuja estratégia é a segunda descrita aqui. Pau no traficante.

E claro, à luz das mais eficientes estratégias do mundo, é fácil dizer que não vai funcionar. E principalmente, usar o Plano para criticar politicamente o Governo e a Prefeitura.

Mas será que a gente, como sociedade, quer mesmo pagar pela melhor solução? Será que a gente está mesmo preparado para ter narcossalas? Ou só ter a impressão que a Cracolândia melhorou já é suficiente para comprar nossa consciência?

Não posso deixar de lembrar das palavras do antigo secretário de segurança do Rio, Helio Luz, sobre uma sociedade séria.

“…na sociedade que não é corrupta, você não avança o sinal…para de cheirar no morro e em Ipanema. Vai ter mandato de segurança pé na porta na Delfim Moreira. 

A Sociedade vai conseguir segurar isso?”

2 Dec

Sobre Enio Mainardi

Enio Mainardi, o pai do Diogo, é muito mais polêmico do que o filho.

E certamente muito mais divertido do que a geração de publicitários que o seguiu.
Enio fez escola e ensinou como se destacar na publicidade com um mix de talento misturado a uma personalidade histriônica.
Pouca gente soube equilibrar tão bem essas duas características. 
Alguns dos melhores publicitários de hoje são talentosos sem sal, outros deixaram o talento de lado para ser apenas personagens pitorescos.
Enio era tudo junto e misturado.
Suas histórias podem encher um livro.
Conto uma, a minha:
Um dia fui mostrar a ele o meu portfolio.
Eu deveria ter o que? Vinte anos talvez.
Diretor de arte junior, mostrando a pasta pro redator lendário.
Enio olhou nos meus olhos:
- Tá nervoso, Neto?
- Um pouco.
- Então eu vou ensinar um truque para você relaxar.
Saiu de trás de sua mesa e deitou no chão de barriga para cima, ao meu lado.
Apoiado na nuca e nas pernas, arqueou as costas tirando o quadril do chão.
- Está vendo? Quando você estiver nervoso, faz esse exercício. Levantando a bunda do chão você automaticamente trava o esfíncter. E isso é relaxante.
Pausa para que você me imagine olhando o mito da publicidade da época deitado ao meu lado fazendo o exercício três vezes.
Enio levantou e voltou para o seu lugar.
- Vamos lá. Vamos ver sua pasta.
Era assim ele.
Dava tiros na agência.
Andava só de cueca.
Levava a Criação para trabalhar na praia pilotando seu próprio avião.
Gritava pelos corredores.
Demitia [possíveis] incompetentes sumariamente.
Mas entendia claramente seu papel de vender os produtos dos clientes com Campanhas como:

Bonzo não é ração, é refeição. 

O bom whisky você conhece no dia seguinte.
Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? 
Mais do que títulos Enio criava conceitos como o que criou para sua própria agência:
“Os anúncios passam, os conceitos ficam”.
Alias, diz a lenda que foi durante uma briga por prazo com outro publicitário mítico, Neil Ferreira, que esse último cunhou a frase “a pressa passa, a merda fica”.
Pouca gente sabe, mas a Bullet nasceu para ser a agência de Promo do Enio. Ele deu o nome, ele cedeu o primeiro logotipo. Mas pulou fora antes da agência nascer. 
Para quem não conheceu, Enio está hoje numa entrevista no blog do Adonis.
Não espere muito.
O tempo passou, Diogo assumiu o cargo de polêmico-mor da família Mainardi, mas a entrevista ainda deixa escapar um ou outro eco de quem ele foi.
1 Dec

O novo álbum do The Black Keys

Nesses últimos dias, estou escutando o mais novo The Black Keys.

É um dos melhores do ano, sem dúvida.

Mas como eu não posso deixar de criar caso, ficam aqui umas semelhanças incomodas.

Digam lá o que acham:

Mind Eraser lembra muito os timbres de Queens of the Stone Age em Make it Wit Chu.

Hell of a Season dá uma bela revisitada na batida de My Charona o clássico do The Knack.

Nova Baby poderia estar no último Arcade Fire.

Little Black Submarine, deixa rolar e me diz que não lembra Stairway to Heaven.

Lovely Boy the um quezinho lá no fundo de Secret Agent Man do Johnny Rivers.

Enfim. O álbum é bom, mas fica o pronto falei.

28 Nov

Carta para uma filha que descobriu que Papai Noel não existe.

Oli,

Ontem, quando falamos sobre Papai Noel, 
você ficou muito muito muito triste.
Na hora, tudo que a gente quer, é por você no colo
e fazer a tristeza passar.
Pais são assim.
Só que a gente acabou falando tanto sobre Papai Noel 
e não falou nada sobre o Natal.
Então resolvi escrever essa cartinha para você.
Uma cartinha de Natal, que não é pro Papai Noel.
Serve também para a Manu, mostre para ela se você quiser.
Só não mostre pra Catu, afinal, ela ainda é pequena
e você sabe como é gostoso poder ser pequena pelo tempo que durar!
Para cada um, o Natal representa uma coisa diferente.
Tem quem ache que é uma festa religiosa.
Tem quem ache que é só um motivo pra dar presentes.
Tem quem goste, porque é uma hora de rever a família.
Tem quem não gosta exatamente por isso.
Tem quem acredita em Papai Noel porque quer.
Tem quem parou de acreditar porque quis.
Natal, para mim, é a hora em que a gente pensa em tudo que fez no ano,
e fica feliz com o resultado porque mesmo se o ano foi ruim, acabou 
e vem aí um novinho, pra gente fazer melhor.
Se foi bom, a gente se enche de orgulho e pode descansar antes do próximo começar.
Natal, para mim, é a hora de dar presentes para quem a gente gosta
como forma de dizer que a gente torce para que o ano que vem deles já comece feliz.
Natal, para mim, é a hora de ficar perto de toda gente que passa a vida
perto da gente, mas que as vezes, não conseguimos ver sempre.
Gente que a gente falou pelo telefone, gente que a gente falou só pelo face,
gente que a gente mandou mais sms do que ouviu a voz, gente que a gente
tinha até esquecido que gosta da gente.
Talvez porque o Natal seja sobre o tempo que passa, escolheram um velhinho.
Vai ver que porque o Natal acontece no nosso coração, é que a roupa dele é vermelha.
Pode ser que porque é uma hora de desejar coisas boas, ele traz presentes.
Mas muito mais importante é saber que o personagem mais importante do Natal,
não é o Papai Noel e sim você.
Espero que esse Natal seja o melhor da sua vida
e que você acredite naquilo que quiser acreditar.
Pra sempre.
Um beijo
Papai, que não é Noel, mas que ama você.

25 Nov

This Strangeness in My Life

It is so hard to see where it is,
but it is there even in the morning
when the miracle of shapes
assemble and become familiar,
but not quite; and the echo
of a voice, now changed,
utterly dissociated, as though
all warmth and shared sweetness
had never been. It is this alien
space, not stark as the moon,
but lush and almost identical
to the space that was. But it is not.
It is another place and you are not
what you were but as though emerging
from the air, you slowly show yourself
as someone else, not ever remembered.

R.I.P. Rush Stone, poet, 94.

8 Nov

Sobre a PM na USP

Sou do tempo em que o campus de uma Universidade sonhou ser um território livre para a expressão de idéias.

Um laboratório aberto para se pensar o que a sociedade aqui fora poderia ou gostaria de se transformar.

Não. Não me refiro ao tempo de Platão ou Sócrates. Sou velho mas não tanto.
Me refiro à década de 70 do século passado onde nosso modelo de Universidade queria se parecer com as faculdades da Califórnia onde o hippie florescia junto com o sonho de um salvo conduto para estudantes.

Me refiro à um período onde - apesar do caos que imperava do lado de fora dos portões acadêmicos - a intelectualidade imaginou poder contar com um oasis de liberdade para expressar suas idéias de contra-cultura.

Não funcionou. Nem naquela época.

Quando ameaçado, o poder vigente invadiu os campi daqui e da Califórnia e baixou o sarrafo.

Fumar maconha era o de menos. O que nego não podia, naquela época, era pensar de maneira perigosa. E só mesmo um ditador para saber como é perigoso deixar os jovens pensarem.
Hoje vejo, de novo, a mesma discussão.

Se a polícia deve ou não estar presente nos campi.

Lamentavelmente, começo a ouvir ecos das discussões dos anos 70, de novo. Só não vejo as idéias pelas quais lutam por liberdade.

Vejo alunos, acadêmicos e policiais, apenas repetindo a história com menos qualidade.

Não se aprendeu nada ao longo dos anos.

Não se aprendeu, principalmente, as seguintes verdades universais. Aqui, na Califórnia e, quem sabe, na Grécia:

1. É uma utopia imaginar um oasis para a intelectualidade poder se expressar sem ser patrulhada.

2. Um campus, livre ou não, sempre terá uma esmagadora maioria de imbecis para meia dúzia de gênios.

3. A não ser que você more em Amsterdã, sempre que você estiver fumando maconha e a polícia aparecer, grite “sujou. os homê!” e salve-se quem puder.

6 Oct
Thank you Steve Jobs.

Thank you Steve Jobs.

4 Oct

Sobre o humor e o bom gosto.

Senta que lá vem história.

Todo mundo tem uma opinião sobre o Rafinhagate.

Tem os que acham um absurdo, censura, falam até do AI5. Tem os que acham muito certo, moralistas de plantão.

Então eu queria contar uma história.

Porque não acho que o assunto seja a graça ou não de uma piada.

A receita de apresentadores-comediantes TV aberta não é nova.

Bob Hope deu o tom do host de talk show com talento para o humor. Foi seguido por uma geração inteira de comediantes, menos ou mais engraçados.

De David Letterman a Conan O’Brien, de Jay Leno a Jô Soares, a receita funciona.

Todos, independente da graça, têm talento específico para falar com uma audiência massiva.

Conseguem ser quase genéricos. Falam com as diferentes classes sociais, religiões, raças.Não são polêmicos.

Você criticando ou não, são talentosos e ganham fortunas exatamente porque conseguem fazer rir, entreter, sem ofender, por anos a fio.

O próximo passo talvez tenha sido dado por Seinfeld. Na época, a NBC produzia o Saturday Night Live toda semana. Um programa nada correto, mas que tinha sua audiência cativa, que sabia o que esperar no final das noites de sábado.Uma agenda sufocante, que - apesar de ter criado um número inigualável de comediantes - deixava a equipe exausta. Lorne Michaels, o até hoje todo poderoso do SNL, pediu um final de semana “off” por mês. A emissora aceitou e alguém deu a idéia incrível de pegar um comediante Stand Up em ascensão para ocupar o final de semana vago.

Seinfeld não tinha nenhuma experiência em TV. Sabia que era um jogo completamente diferente dos clubes de stand up. Chamou seu amigo Larry David para ajudá-lo. Juntos e assumidamente morrendo de medo do desafio, criaram o histórico “show sobre o nada”.

Qualquer stand up sabe que fazer uma piada nazista, racista, de mau gosto, pode até funcionar num clube, para uma audiência restrita, por sua conta e risco.

Mas qualquer stand up também deveria saber que falar com uma platéia de milhões, às custas de marcas que o patrocinam, estabelece um novo compromisso.

Ao entrar em rede nacional surge outra ética, tudo ganha uma gigantesca dimensão e é de uma ingenuidade sem tamanho acreditar que tudo que se dirá vai passar ileso.

Dizer “sou comediante, faço rir com o improviso” é um direito de cada um.

E definir a linha de corte do bom gosto é um direito de quem dirige a emissora.

Isso não tem nada a ver com censura.

Tem a ver com bom senso. Tem a ver com o medo de perder audiência e anunciantes.

Enquanto a emissora não assumir que está disposta a apostar no gosto duvidoso para provar um ponto sobre a liberdade de expressão, o bom senso pede que você pense duas vezes antes de falar.

Isso não significa que não haverá avanço no envelope da liberdade de expressão. Isso significa apenas que este avanço se dará de comum acordo entre os todos os envolvidos.

Honestamente, foi morte anunciada. Anunciada por quem colou Rafinha e Danilo Gentili no megafone da mídia e assumiu o risco.

E quem assumiu o risco tem todo direito de voltar atrás. Simples assim.

Foi para escapar desta ratoeira que Seinfeld optou por um “show sobre nada”. 

Porque assim, descompromissado, podia escapar do policiamento do politicamente correto.

Já Rafinha, optou pelo “digo o que bem entendo”. 

Resultado: não fala mais, ao menos no horário nobre.

De gênio a ingênuo, em apenas uma frase.

4 Sep

WIM, bandinha australiana cool, com um clipe que poderia ser da Florence.

1 Sep

Instagram

Tirei uma foto de um brigadeiro.

Publiquei no meu instagram.

Você precisa dar like. Se deixar um comment, ainda melhor.

Meu instagram está conectado ao twitter.

Preciso que você vá lá e retuite.

Meu twitter está conectado ao meu facebook.

Espero pelo seu like.

Se possível com comment.

E tudo isso vai aparecer no meu tumblr.


Como assim, só 12 likes?

Será que é o ângulo que não agradou?

Tão poucos comentários.

O altamira23 que sempre tem comments inteligentes disse apenas “hummm”.

Onde foi que eu errei?

Era só um brigadeiro, mas se transformou numa rede de carências.


Vou até a bandeja de brigadeiros de novo.

Não sobrou nenhum.

Fotografo assim mesmo, os restos da mesa.

Ainda dá pra ver que o tema era Homem-Aranha.

Escolho um tema bem dramático.

Instagram. Twitter. Facebook. Tumblr.

Vai foto. Segue sua carreira.

Em pouco tempo os likes começam a pipocar na tela do telefone.

Vêm na forma de notificações, nem preciso abrir o programa.

Gostaram.

Agora posso relaxar.

Vejo a piscina de bolinhas.

Se pelo menos eu conseguisse que aquele garoto deixasse apenas a cabeça de fora.

Publico no instagram.

Será que vão gostar?

31 Aug
Olivia tem dez anos.
As vezes, no meio da tarde, ela conversa comigo no Facebook.
Esse foi o papo de hoje.

Olivia tem dez anos.

As vezes, no meio da tarde, ela conversa comigo no Facebook.

Esse foi o papo de hoje.

Gut felling.

Você vai encontrar a mesma ideia em dezenas de lugares.
Vai encontrar no Zen Budismo, na forma do arqueiro Zen.
Vai encontrar em técnicos de Tenis e Golfe.
Vai encontrar em livros que falam sobre a fisiologia do cérebro.
Vai encontrar na obra de Jung e no iChing.
Muita gente já falou sobre isso.

Então não confunda o que estou falando aqui com nenhuma teoria idiota, recém criada, de auto-ajuda.

Estou falando daquele sentimento que aprendemos a afogar em troca da razão. 

Estou falando de instinto. De um pensamento fugaz que dura uma fração de segundo. Um palpite. Uma percepção. Um alarme mental que soa sem que você saiba explicar porquê.

Simplesmente está lá.

Ao longo de décadas fomos treinados a tomar decisões suportadas por fatos. Ao longo de tanto tempo, aprendemos a decidir com argumentos, provas, estatísticas.

Pois bem. Há mais que isso.

Da próxima vez que você sentir que algo está errado, perceber que nem tudo parece ser o que é ou quem sabe, da próxima vez que essa dúvida fugaz passar por você, aceite um conselho: acredite no seu instinto.


São milhões de anos de seleção natural impregnados em seu inconsciente tentando lhe dar um recado.


Gut felling, amigo, nunca engana.

30 Aug

Pra quem não ouviu ainda, o novo single the Florence + The Machine, What the Water Gave Me. (Soonic Remix)

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