23 May
ecochatos, uni-vos. chegou a zero. #eletrica  (Taken with instagram)

ecochatos, uni-vos. chegou a zero. #eletrica (Taken with instagram)

9 May

Revolução é o cacete.

Existe um mito no ar.
O mito da revolução 2.0.
Querem convencer você que agora, finalmente, qualquer um pode participar de uma suposta mudança da mídia e da produção/venda da Cultura Pop.


“Agora, qualquer criança pode fazer um vídeo em casa e ficar famoso”, é o mote dessa gente.

Essa é a bobagem 2.0 difundida por todo canto.

A ideia sugere que foi aberta uma janela para o mundo que estava fechada no passado.
É bonito mas essa é só uma meia verdade.

Segundo essa teoria, Justin Bieber, por exemplo, só surgiu porque um produtor descobriu o garoto prodígio quando encontrou seu vídeo no YouTube.
Como se não tivesse existido nenhuma Boy Band, nenhuma estrela-mirim antes do Bieber.

Bobagem.
Um talento como Justin Bieber (talento tão questionável quanto qualquer outra Boy Band) teria estourado com ou sem YouTube. E se não fosse ele, seria outro, mas não se deixe convencer. Não acredite no mito de que agora ficou mais “fácil” conquistar a mídia. 
Alias, falar mal dessa democratização é politicamente incorreto, porque muita gente ganha dinheiro iludindo agências e clientes. 
Muita gente vive exatamente de superestimar a força das redes sociais e do 2.0.

Mas a real é que o fenômeno é muito mais simples do que se vende por aí.

No passado existia apenas um punhado de “geradores de conteúdo”. 
Ninguém pensava em quanta informação o público poderia receber, porque não existia nenhuma possibilidade de sobrecarregar os canais existentes, com os poucos geradores de conteúdo da época.
Nego lia um livro, via um noticiário, assinava um jornal, lia algumas revistas e vivia a vida-lá-fora no resto do tempo que lhe sobrava.

O mundo mudou, mas muita gente ainda continua olhando só para o lado do gerador de conteúdo, sem se dar conta que passou a ser importante olhar também para a outra ponta, a do receptor-espectador-usuário-internauta e de como você e eu gerenciamos nosso tempo para tanta oferta de informação/conteúdo.

Descobrir como cada um gerencia seu Tempo é, sim, a grande arma nessa Revolução. 
(E exatamente por isso, o Curador 2.0 ganhou importância, seja ele o sujeito que você segue no Twitter, seja uma marca que ajuda você na dura tarefa de filtrar o que é relevante)
Quando a oferta de conteúdo é ILIMITADA como a de hoje, a capacidade de absorção de informação não é mais irrelevante como era no passado. 

Quando a gente acredita que cada um, hoje, é um produtor de conteúdo, esquecemos que do outro lado, para dar conta de tanta informação, o receptor-espectador-usuário-internauta  tornou-se menos atento e muito, mas muito menos impressionável.
Por exemplo: se você, no passado, dava conta de descobrir, digamos, 5 bandas de rock por ano e agora descobre 56, uma a cada semana já que os canais se proliferaram, não se iluda. Sua atenção para cada banda foi reduzida a uma mera fração. 

Todo mundo pode ficar famoso por 15 minutos,  em 15 minutos. Do anonimato para a fama e da fama para o anonimato em apenas 15 minutos.
E essa é a pegadinha da Revolução 2.0

A família “Para Nossa Alegria” ficou famosa no YouTube, e com isso, não provou que os meios estão mais democráticos. 
Nada disso.
Eles apenas ocuparam o espaço de uma bobagem semelhante, que seria divulgada pelo Raul Gil há 20 anos. 
Só isso.
A possibilidade de você, que canta bem, gravar um YouTube e ser descoberto por um produtor, depois que seu vídeo tiver 2 milhões de acessos, parece realmente sugerir que você tem mais chance de explodir. 
Mas não tem. 
A chance de você conseguir dois milhões de likes dizendo que você canta bem é tão remota quanto era quando você mandava uma fita demo para 15 produtores, na esperança que algum “descobrisse” você.
Só que como todo mundo testemunhou o que aconteceu com os Para Nossa Alegria, ou com a Suzane Boyle, ficamos com essa sensação de que agora qualquer um de nós pode mudar o mundo.

Mas, infelizmente, não pode.
(Cabe aqui o parenteses do nicho. Este é um capitulo a parte e, sim, a democratização do online pode fazer a diferença. Taí o Jovem Nerd, por exemplo, que dificilmente teria encontrado sua audiência cativa há 20 anos. O problema é que, salvo honráveis exceções, como essa do exemplo, nem sempre é fácil ganhar dinheiro e sobreviver apenas com a receita gerada pelo nicho que você se dedicar)

O fato é que sua presença online não é mais relevante que sua presença offline.

A ilusão da importância deste alcance, desta cobertura, cria o tal mito da Revolução.
Veja meu caso, pobre de mim.
Tenho 168 mil followers no Twitter. 
Aí minha filha pediu que eu twitasse sobre a fanpage que ela criou, pedindo likes.
Twitei 3 vezes.
Sabe quantos likes vieram?
5.
Provavelmente de quem é meu amigo, no off.
Por que?
Porque esses 168 mil followers são uma abstração. O tempo que eles dedicam a mim ou a qualquer outro assunto é muito menos do que uma fração de segundo.
Só que a gente adora números.
Então a gente se impressiona.
E acredita mesmo que existe a tal revolução.
Os números de followers, likes, clicks são absolutamente ilusórios e essa suposta cobertura, é uma ENORME falácia.
E pior.
Esses números criam uma angustia nos clientes que agência nenhuma conseguiu resolver.
O que estão falando de nós online? 
Como monitorar e gerenciar esse discurso?
Que consequência terá tanto debate sobre minha marca?
Sinceramente?
Consequência quase nenhuma, quanto mais passa o tempo, mais me convenço.
Não é porque agora você testemunha que falam mal de você, que estão falando mais mal de você do que antes.
Exemplo:
Todo mundo sempre soube que boa parte das operadoras de celular são um lixo. 
Que o sinal cai. 
Que 3G não rola como deveria no Brasil.
Todo mundo sabe que sempre foram campeãs de reclamações no PROCON. 
Não é porque estão falando mal de operadoras no twitter que alguma coisa vai mudar.
Um problema não é mais grave porque é mais comentado. 
Poderia ser. Deveria ser. Mas não é.
Exatamente porque a crítica essa crítica 2.0 às operadoras - será diluída num caldo de para-nossa-alegria-fotos-da-famosa-pelada-críticas-a-provedores-fofocas-do-dia e etc. que levarão a tal crítica ao status de irrelevante aos olhos do usuário. 
É só mais uma crítica.
É só mais um twit.
Volátil e sem importância.

É a Regra da Diluição: quanto mais informação, menos importante é a informação.

Pense nisso: o fato de todo mundo gerar conteúdo, não torna todo conteúdo criado importante. Pelo contrário. Torna cada um de nós um filtro mais e mais afiado, que não dá importância a quase nada.
Aí você dirá: mas as redes sociais criaram a possibilidade de uma Manifestação Articulada que mostre a força do consumidor.
É mesmo? Então cite um exemplo onde isso funcionou.
No churrasco de gente diferenciada? 
Sério?
Não me entenda mal.
Não estou negando a importância das redes sociais. 
Não estou querendo ignorar a importância do colaborativo, do conteúdo gerado por usuário, da mobilização online, do power to the people ao poder da segunda tela para as emissoras.
Estou apenas incomodado de ouvir um discurso que dá a entender que a Banda Mais Bonita da Cidade é filhote do 2.0, que - por consequência - o sucesso está ao alcance de qualquer um.
Não está.
A Banda Mais Bonita da Cidade não somou +1 na lista de sucessos da MPB. 
Apenas tirou o lugar de uma outra banda qualquer, mais feia, mas que teria ocupado esse espaço valendo-se dos meios antigos.
Você e sua banda continuam tendo uma chance mínima de se destacar.
E a propósito, seguindo a Regra da Diluição aí de cima, onde foi mesmo parar a Banda Mais Bonita da Cidade?
Em resumo: 

1. Entrar no radar da massa continua tão difícil quanto no passado. A cobertura democrática é só uma ilusão. 
2. A aparente democratização do acesso ao espectador, apenas sobrecarregou o próprio espectador e deixou qualquer mensagem mais volátil do que antes.
3. Se de um lado, qualquer mané tem cobertura mundial, 99.9% desses manés continua sem nada relevante para dizer.
4. Se você faz sucesso a partir deste mundo online, desconfio que você teria também feito sucesso no mundo offline.
5. Sucesso, hoje, dura muito menos tempo, porque todo dia tem alguém ocupando a atenção do consumidor.
6. Apesar de sua suposta “cobertura global”, sua chance aumenta quando você foca num nicho (e isso sim é novo: agora é possível focar em nichos que antes eram praticamente inacessíveis).
7. O resumo da ópera: não se deixe enganar. A Revolução 2.0 não torna o sucesso mais PROVÁVEL que no passado. Torna-o apenas POSSÍVEL. 
E finalmente, mais do que nunca, vale a regra universal: você não se preocuparia tanto com o que pensam de você, se soubesse como pensam pouco em você.

Colaboraram (mas não necessariamente concordam) @aldera30 @matheusflandoli @fsbotton e @cavallini
6 May

Minhocada

Agora que a palhaçada já aconteceu, nego fica querendo dizer que a culpa é de um tal “brasileiro mal educado”. O populacho.
Dizem que o povo não sabe fazer fila, que se atracam para comer galinha grátis porque não têm educação.
Fui ver o que aconteceu.
Organizaram uma Galinhada, assim com caixa alta, porque foi comandada pelo Alex Atala, um dos mais prestigiados Chefs da atualidade.
A Galinhada, atração da Virada Cultural, tinha que acontecer às 00:00 do domingo.
A fila começou a se organizar cinco horas antes, no Minhocão.
Uns dizem que chegou aos 300 metros, outros exageram até um quilometro.
Depois de 45 minutos da hora marcada, mais de 5 mil pessoas esperavam por essa oportunidade única.
E quantas porções os organizadores previram?
Hein? Hein?
Quantas você faria?
Chef famoso, comida (quase)de graça, sábado à noite no Minhocão?
Quantas?
Quinhentas.
Isso. Quinhentas.
Já fui à festas de aniversário com mais de 500 convidados.
Sinceramente, Virada Cultural é bacana. Mas convenhamos, a gente tem que perder a mania de achar que São Paulo é Munique ou Lion.
E não é pela qualidade do povo e sim pela quantidade.
Festa popular, de rua, aqui tem que ser dimensionada para milhões e não para centenas.
Se não teve morte, foi sorte.
Alias, será que não tem nenhuma empresa querendo patrocinar a maior Galinhada do mundo, com o talento do Alex Atala e a organização que ele e o brasileiro merecem?

23 Apr
#sketch chuva (Taken with Instagram at Arena Fat5)

#sketch chuva (Taken with Instagram at Arena Fat5)

20 Apr
insonia

insonia

17 Apr

Sic.

Prezada Presidente,

Entendo que Vossa Excelência deseje ser chamada de “Presidenta”, como uma homenagem ao fato de representar o sexo feminino no poder.
No entanto, apesar de poder muita coisa, um Presidente não pode modificar a gramática da língua.
Seu desejo não pode e não deve ser acatado, simplesmente porque Presidente é, na verdade, o participio ativo do verbo presidir. E nossa gramática define que quem exerce a ação do verbo é o verbo acrescido do pós fixo “ente” ou “inte”. 
Quem ataca, é atacante, mesmo que seja a Marta. Quem estuda é estudante, mesmo que seja a Geisy Arruda e quem preside é o presidente, mesmo que seja Vossa Excelência.
Update: Apesar do que foi dito acima, o prof. Pasquale alega que a palavra Presidenta existe nos dicionários como exceção à regra. Mesmo assim, conclui: “o fato de haver registro da variante de uma palavra não dá a ninguém o direito de exigir dos outros o uso dessa variante, muito menos o direito de corrigir quem não a usa”
13 Apr

(Source: vimeo.com)

11 Apr
Inflama Rio! 1,2 e já, começou :))) (Taken with instagram)

Inflama Rio! 1,2 e já, começou :))) (Taken with instagram)

10 Apr
toys. :) cc @panhoca  (Taken with Instagram at Bullet)

toys. :) cc @panhoca (Taken with Instagram at Bullet)

4 Apr

O seu melhor amigo.

Não vou dar nomes. 

Você vai saber de quem estou falando.
Este texto serve para algumas prestadoras de serviço que precisam, eventualmente, calibrar modens ou decoders que você instalou em casa para prover o serviço que você contratou.
Funciona assim: você vai lá e contrata o serviço, num site que tem tantas animações quanto promessas.
Nego vem, instala e por um tempo, tudo funciona como deveria.
Até não funcionar mais como deveria.
Aí você tenta resolver por telefone.
As vezes resolvem, as vezes não.
Quando não resolvem, depois de um seis meses de contrato, mandam um técnico.
Não se iluda. 
Ele não é um técnico. 
É seu melhor amigo.
Ele vai mexer aqui e ali e vai dizer que está tudo arrumado.
Mas não está.
Como você vai saber?
Porque quando este técnico for embora de sua casa, ele vai deixar um papel qualquer.
Um bilhete.
Uma nota fiscal.
E lá, logo abaixo do nome dele, está o celular.
Só um amigo deixa o celular.
E esse é o sinal.
O celular quer dizer o seguinte, para você que ainda não entendeu:
“Amigão, não se engane. Eu sou o todo-poderoso-dono-de-todas-as-chaves do produto que você contratou.”
Seus problemas estão resolvidos.
Mediante o pagamento de uma pequena propina, um técnico desses é capaz de dobrar a velocidade da sua internet, instalar um pacote extra de canais, liberar o Paulistão, é só pedir.
Ele é capaz também de ajustar os botoezinhos para que você, honesto, receba o serviço que pediu.
Ele é mais importante do que aquele diretor de marketing que você achou que era seu amigo.
A empresa lá, nem liga, desde que você continue pagando seu contrato todo mês.
Percebe que todo mundo acaba feliz?
Você com o que precisa e achou que tinha contratado, a empresa com um assinante a mais e o técnico com um “bônus por eficiência”, pago por você.
A receita não é nova.
Funciona com a Polícia Rodoviária.
Funciona em Brasília que é uma beleza.
E agora está aí, ao alcance do seu lar.
Quando empresas ou o Estado conferem poder a quem é mal pago, dá nisso.
“Deixa uma cervejinha patrão” resolve qualquer problema, como sempre resolveu.
Agora senta e chora.
30 Mar

Reflexões sobre a Apple.

Muito se falava sobre se a Apple seria capaz de manter seu ritmo de evolução depois da morte de Jobs.

O medo do mercado era que a Apple novamente poderia perder o pé da inovação, como aconteceu em meados dos anos 90, quando Jobs foi demitido da companhia e por pouco não foram para o buraco (como esquecer a capa da Wired de 1997?).

Jobs ficou, então, associado a esta imagem de salvador da pátria. De responsável pela constante inovação que a Apple construiu depois de seu triunfal retorno, levando a empresa do fundo do poço para a posição de uma das empresas mais valiosas do mundo.

Pois bem.

Lembro bem como aconteceu a decadência dos anos 80. Não foi um processo rápido. Pelo contrário (e esse é o perigo). A decadência de um negócio ocorre aos poucos.

Uma decisão equivocada aqui, alguém com falta de visão ou objetividade ali.

E um dia, boom… no pior dos sentidos.

Jobs morreu. E é claro que associar qualquer tropeço atual da Apple a este fato seria leviano. As ações, inclusive, estão em níveis históricos de valor.

Tudo nos leva a crer que o sucesso deve continuar e que uma crise como a do passado não vai voltar a acontecer.

Mas o peixe é o último a reconhecer o aquário.

Por exemplo: e se apesar da competência de Tim Cook a companhia começar a ceder aos desejos dos acionistas mais influentes?

Porque - ao contrário da inovação - acredito que o principal ativo de Jobs sempre foi a coragem. Coragem de saber o que queria.

Coragem para definir o que fazer e não desviar do caminho cedendo a tentações de dinheiro fácil.

Tenho dois sinais de que está faltando coragem em Cupertino depois da morte de Jobs.

  1. O primeiro sinal são os dois últimos lançamentos da Apple. O iPhone 4S e o iPad novo. Praticamente nada de relevante mudou. E pouco divulgada foi a notícia de que a Apple está sendo processada por consumidores descontentes com a Siri, a assistente por voz, que apesar de estar em versão beta, deixa muito a desejar. Ou seja, talvez o iPhone 4S tenha sido lançado fora de hora. Quando virá o iPhone 5? Quanto mais a Apple permitirá que outras empresas ditem a próxima geração de smartphones? No iPad novo, além da tela retina, dificilmente alguma outra característica pode ser observada. Dois produtos pouco inovadores e tacanhos, sem a marca do gênio.
  2. Em segundo lugar, o surpreendente anuncio de que a Apple, em Junho ou Julho deve distribuir dividendos, coisa que a empresa não fazia há mais de 10 anos. O que isso tem a ver com “coragem”? Ora, distribuir dividendos é abrir mão de um dinheiro que deveria estar sendo usado para subsidiar mais inovação. Não é um erro, mas é - sem dúvida - um recado de qual a estratégia a companhia decidiu utilizar. Por que não gastar esse dinheiro para investir em novos setores e fazer a marca crescer ainda mais? Por que não a iKitchen ou o iCarro?  


Enfim, como eu disse antes, é muito cedo para falar. E com as ações nessa alta, qualquer voz dissonante soa equivocada.

Pense nisso.

(colaboraram para este texto insights do @fabiolr e do @alechumer. valeu!)

23 Mar

Ajuda à distância.

Tem um Thought Experiment interessante:
“Se você estivesse andando por uma praia vazia e visse uma criança se afogando a 50 metros, o que você faria?”
Boa parte das pessoas responde que entraria no mar e salvaria a tal criança.
O exercício continua.
“E se a criança estivesse a 1000 metros da costa?”
Agora, embora conscientes de que precisam tomar uma atitude urgente, algumas pessoas ficam intimidadas pela distancia, alguns não acreditam que seriam capazes de nadar e salvar a criança, mas é senso comum que existe uma “intenção” de salvar, inerente aos seres humanos.
A ideia do exercício é mostrar que a distância não é uma desculpa para não ajudar. Ou seja, se sabemos que alguém precisa de ajuda, seja onde for, é nosso “dever moral” tentar ajudar.
E a gente sabe. Claro que sabe. Sabe de crianças morrendo de fome, gente que não tem acesso à água potável, doenças, etc.
Só que, diferente da criança se afogando a 1000 metros da costa, é difícil para nós encontrar os caminhos para ajudar.
O que os olhos não vêem o coração não sente e o bolso não ajuda.
É aí que entra o Médicos Sem Fronteira.
Eles avisam para você onde a criança está se afogando e nadam os tais 1000 metros se você ajudar.
Ajudar a educar, a salvar, a remediar.
Esta semana recebi do Médicos Sem Fronteiras alguns valores que achei que deveriam ser divulgados.
Aí vai: 
  • Com R$ 48,00 você purifica 400 mil litros de água. O suficiente para 20 mil pessoas terem acesso à água não contaminada por um dia.
  • R$ 77,00 você vacina 150 crianças contra o Sarampo.
  • R$144,00 é o que custa o parto seguro de 6 bebês.
  • Com R$ 276,00 um soropositivo de HIV/AIDS vive mais um ano.
  • R$ 432,00 é o custo de um kit de comida altamenter nutritiva, por 5 semanas, para ajudar 6 crianças desnutridas a voltar a ficar em pé.
  • R$ 720,00 protegem 10 bebês contrar a transmissão do HIV de mãe para filhos.
  • E R$ 1.440,00 equivalem a 6 meses de tratamento de 10 pacientes com tuberculose.
Onde eles estão?
Que importa?
Podem estar a 50 metros de você, ou a milhões de quilometros.
Se você quer ajudar, ligue para 0800 940 3585.
É isso.

22 Mar

Reflexões após dois dias usando o novo iPad

Eu não sou exatamente isento para falar de Apple.

Como heavy user de longa data, é de se esperar que minha opinião seja tendenciosa.
O que só piora ainda mais o que vou dizer.
Depois de dois dias usando o novo iPad acho o seguinte:
1. Não entendo porque a Apple desistiu de alterar o design de seus novos lançamentos.
Explico: comprar um produto Apple sempre foi uma combinação de experiências, dentre as quais o design sempre teve papel relevante. Curiosamente, no iPhone 4S e no novo iPad, não houve nenhuma alteração de design. Não posso deixar de me sentir decepcionado ao abrir uma caixa branca com a maça e não encontrar sequer um botãozinho diferente. Está lá o mesmo design do produto que eu usava anteriormente.
2. O novo iPad esquenta. Principalmente na região superior traseira, do lado esquerdo. Não queima, como acontecia com antigos MacBooks, nem dá pra fritar um ovo como aconteceu com um modelo específico de MCP no passado. Mas é quente o suficiente para ser desconfortável quando você está há mais de meia hora lendo um livro. A mão transpira, esse grau de incomodo.
3. A tão falada tela retina no iPad não tem, nem de perto o mesmo impacto que teve no iPhone. Lembro que no iPhone foi uma mudança drástica. No iPad é, no máximo, uma mudança bem vinda nos livros. Os ícones parecem mais “sharp” mas convenhamos…
4. Não notei NENHUMA mudança na velocidade. Nenhuma.
5. O peso maior e o formato um pouco mais largo são imperceptíveis.
Enfim, difícil justificar a mudança com tão poucas novidades percebidas.
Update:
Não falei da duração da bateria. 
Vamos lá. Meu hábito de uso frequente do iPad é ler antes de dormir. O 2 eu deixava sem carregar ao longo da noite e ele não descarregava. O novo descarrega. Mas ainda preciso testar melhor. De qualquer maneira, não posso deixar de pensar que boa parte da carga está sendo gasta nessa incompreensível produção de calor.
Quanto à carga, demora. Muito. No USB, foi do 0% a 55% em 4 horas. Nesse mesmo tempo, o 2 carregava 100%. Fácil.
7 Mar

Véve.

Duas da manhã, estou eu diante da caixa do Pão de Açúcar.
- O senhor pode responder umas perguntas do sistema?
- Preciso mesmo? São duas da manhã e …
- Precisa - disparando a primeira pergunta da tela do caixa.
“Você sabia que a partir de 3/4 o Pão de Açúcar não vai mais oferecer sacolas plásticas? a) Sim b) Não”
- Não, respondo.
- Não sabia? - tenta confirmar a funcionária com certa descrença na voz.
- Não. Eu não sabia.
- Mas em que mundo o senhor véve?
- Eu vévo num outro planeta.
- É?! E como é lá?
- Lá todo mundo tem quantas sacolas plásticas quiser.
- Então o senhor tem que voltar pra lá antes do dia 3.
Há que se gostar das caixas do Pão de Açúcar.

22 Feb

O Brasil não é mais esse.

Quarta-feira de cinzas não tem esse nome à toa.

Queimada toda a energia, resta o rescaldo.
E invariavelmente, o balanço não é dos melhores.
Nego reclama de tudo.
Se foi pra praia, reclama das praias lotadas e dos jet skis.
Se foi pro campo, lamenta o trânsito e os mosquitos.
Se ficou na cidade, reclama que acabou a mamata de uma vida sem filas.
Nego reclama.
Da bebedeira, da baderna, das mortes na estrada, da chuva que choveu direto, do sol que o deixou vermelho que nem um pimentão. 
Reclama do pagode do vizinho, da programação de TV, da falta do futebol.
Vivemos num país lotado.
Lotado de bons e ruins.
Pra onde se vai, tem fila.
Pra onde se vai tem trânsito.
Pra onde se foge, tem bandido e gente grosseira.
Pra onde se olha tem pobres de espirito e ricos sem noção.
E assim vamos ampliando nossos limites.
Por exemplo:
Gosto de mulher pelada tanto quanto você.
Mas a gente perdeu o juízo. 
Me dei conta disso quando percebi o sucesso que um cirurgião plástico histriônico fez na transmissão do Carnaval.
Um sujeito escalado para esclarecer.
Esclarecer quem é homem e quem é mulher.
Esclarecer se isso aqui é peito ou é plástico.
Esclarecer o que é bunda e o que não é.
Esclarecer se nessa barriga realmente enfiaram um cano e sugaram tudo,
ou se a aparência natural é mesmo obra da Natureza.
Em seu discurso, o sujeito várias vezes fala em Deus.
Segundo ele, nós mortais ainda não chegamos à perfeição divina na hora de intervir na busca de uma suposta beleza.
E para provar, desfilou diante dele um batalhão de sub-celebridades, como todos os anos.
A novidade é que além de aparecer, estavam ali para ser avaliadas.
E carimbadas (não vou dizer “como vacas”).
Muitas não tinham nome. 
Outras fazem questão de esclarecer quem são.
Todas são “destaque” de alguma coisa.
Ou saem na comissão de não sei que.
Ou no carro sei lá qual.
Via de regra, estão praticamente nuas e ao receberem a ordem, viram e esfregam as nádegas na câmera, sem nenhum pudor.
Nessa hora, aprendi que a paixão nacional tem a forma - vejam que ironia fina - de um coração de cabeça para baixo.
O cirurgião desenha como se marcasse cortes de carne.
Fiz minha lição de casa.
Aprendi as medidas ideais e aprendi a identificar diversos sinais de que naquele corpo aconteceu uma intervenção cirúrgica.
Na ética do cirurgião, peitos de silicone tem pouco status. 
Então ele afirma “Só fez peito, querida?”, com ênfase no “só”, para deixar claro que peito é coisa corriqueira, que qualquer um faz.
E para provar, saca uma protese de peitoral masculino.
Sim. Você, rapaz, também pode fazer seu peito.
Mais nobre, para ele, é quem faz peito e bunda. Se tiver lipo, então, ainda melhor.
Perdemos o limite. Sério.
Não proponho nenhuma censura, claro que não.
A única censura que sou favorável é a auto-censura.
Aquela que você mesmo se impõe. 
Aquela que faz com que você não peça mais uma cerveja.
Fume menos.
Durma mais.
Se cuide um pouco.
Também conhecida por bom senso.
É essa censura, a auto, que desconfio que ano após ano, perdemos.
A verdade é que esse espetáculo de mau gosto ficou cafona.
Não precisamos mais disso.
Ser uma potência emergente como queremos ser, passa por ter um pouco, só um pouquinho mais de bom senso.