ecochatos, uni-vos. chegou a zero. #eletrica (Taken with instagram)
Revolução é o cacete.
Existe um mito no ar.
O mito da revolução 2.0.
Querem convencer você que agora, finalmente, qualquer um pode participar de uma suposta mudança da mídia e da produção/venda da Cultura Pop.
“Agora, qualquer criança pode fazer um vídeo em casa e ficar famoso”, é o mote dessa gente.
A ideia sugere que foi aberta uma janela para o mundo que estava fechada no passado.
No passado existia apenas um punhado de “geradores de conteúdo”.
Nego lia um livro, via um noticiário, assinava um jornal, lia algumas revistas e vivia a vida-lá-fora no resto do tempo que lhe sobrava.
Quando a gente acredita que cada um, hoje, é um produtor de conteúdo, esquecemos que do outro lado, para dar conta de tanta informação, o receptor-espectador-usuário-internauta tornou-se menos atento e muito, mas muito menos impressionável.
Todo mundo pode ficar famoso por 15 minutos, em 15 minutos. Do anonimato para a fama e da fama para o anonimato em apenas 15 minutos.
A família “Para Nossa Alegria” ficou famosa no YouTube, e com isso, não provou que os meios estão mais democráticos.
Só isso.
A possibilidade de você, que canta bem, gravar um YouTube e ser descoberto por um produtor, depois que seu vídeo tiver 2 milhões de acessos, parece realmente sugerir que você tem mais chance de explodir.
Mas não tem.
A chance de você conseguir dois milhões de likes dizendo que você canta bem é tão remota quanto era quando você mandava uma fita demo para 15 produtores, na esperança que algum “descobrisse” você.
Mas, infelizmente, não pode.
O fato é que sua presença online não é mais relevante que sua presença offline.
Que consequência terá tanto debate sobre minha marca?
Exemplo:
Que o sinal cai.
Que 3G não rola como deveria no Brasil.
Não é porque estão falando mal de operadoras no twitter que alguma coisa vai mudar.
Um problema não é mais grave porque é mais comentado.
Poderia ser. Deveria ser. Mas não é.
Exatamente porque a crítica essa crítica 2.0 às operadoras - será diluída num caldo de para-nossa-alegria-fotos-da-famosa-pelada-críticas-a-provedores-fofocas-do-dia e etc. que levarão a tal crítica ao status de irrelevante aos olhos do usuário.
Aí você dirá: mas as redes sociais criaram a possibilidade de uma Manifestação Articulada que mostre a força do consumidor.
É mesmo? Então cite um exemplo onde isso funcionou.
No churrasco de gente diferenciada?
Sério?
Não me entenda mal.
Não estou negando a importância das redes sociais.
Não estou querendo ignorar a importância do colaborativo, do conteúdo gerado por usuário, da mobilização online, do power to the people ao poder da segunda tela para as emissoras.
Estou apenas incomodado de ouvir um discurso que dá a entender que a Banda Mais Bonita da Cidade é filhote do 2.0, que - por consequência - o sucesso está ao alcance de qualquer um.
Não está.
A Banda Mais Bonita da Cidade não somou +1 na lista de sucessos da MPB.
Você e sua banda continuam tendo uma chance mínima de se destacar.
E a propósito, seguindo a Regra da Diluição aí de cima, onde foi mesmo parar a Banda Mais Bonita da Cidade?
Em resumo:
1. Entrar no radar da massa continua tão difícil quanto no passado. A cobertura democrática é só uma ilusão.
2. A aparente democratização do acesso ao espectador, apenas sobrecarregou o próprio espectador e deixou qualquer mensagem mais volátil do que antes.
3. Se de um lado, qualquer mané tem cobertura mundial, 99.9% desses manés continua sem nada relevante para dizer.
4. Se você faz sucesso a partir deste mundo online, desconfio que você teria também feito sucesso no mundo offline.
5. Sucesso, hoje, dura muito menos tempo, porque todo dia tem alguém ocupando a atenção do consumidor.
6. Apesar de sua suposta “cobertura global”, sua chance aumenta quando você foca num nicho (e isso sim é novo: agora é possível focar em nichos que antes eram praticamente inacessíveis).
Colaboraram (mas não necessariamente concordam) @aldera30 @matheusflandoli @fsbotton e @cavallini
Minhocada
Agora que a palhaçada já aconteceu, nego fica querendo dizer que a culpa é de um tal “brasileiro mal educado”. O populacho.
Dizem que o povo não sabe fazer fila, que se atracam para comer galinha grátis porque não têm educação.
Fui ver o que aconteceu.
Organizaram uma Galinhada, assim com caixa alta, porque foi comandada pelo Alex Atala, um dos mais prestigiados Chefs da atualidade.
A Galinhada, atração da Virada Cultural, tinha que acontecer às 00:00 do domingo.
A fila começou a se organizar cinco horas antes, no Minhocão.
Uns dizem que chegou aos 300 metros, outros exageram até um quilometro.
Depois de 45 minutos da hora marcada, mais de 5 mil pessoas esperavam por essa oportunidade única.
E quantas porções os organizadores previram?
Hein? Hein?
Quantas você faria?
Chef famoso, comida (quase)de graça, sábado à noite no Minhocão?
Quantas?
Quinhentas.
Isso. Quinhentas.
Já fui à festas de aniversário com mais de 500 convidados.
Sinceramente, Virada Cultural é bacana. Mas convenhamos, a gente tem que perder a mania de achar que São Paulo é Munique ou Lion.
E não é pela qualidade do povo e sim pela quantidade.
Festa popular, de rua, aqui tem que ser dimensionada para milhões e não para centenas.
Se não teve morte, foi sorte.
Alias, será que não tem nenhuma empresa querendo patrocinar a maior Galinhada do mundo, com o talento do Alex Atala e a organização que ele e o brasileiro merecem?
#sketch chuva (Taken with Instagram at Arena Fat5)
Sic.
Prezada Presidente,
(Source: vimeo.com)
Inflama Rio! 1,2 e já, começou :))) (Taken with instagram)
toys. :) cc @panhoca (Taken with Instagram at Bullet)
O seu melhor amigo.
Não vou dar nomes.
Reflexões sobre a Apple.
Muito se falava sobre se a Apple seria capaz de manter seu ritmo de evolução depois da morte de Jobs.
O medo do mercado era que a Apple novamente poderia perder o pé da inovação, como aconteceu em meados dos anos 90, quando Jobs foi demitido da companhia e por pouco não foram para o buraco (como esquecer a capa da Wired de 1997?).
Jobs ficou, então, associado a esta imagem de salvador da pátria. De responsável pela constante inovação que a Apple construiu depois de seu triunfal retorno, levando a empresa do fundo do poço para a posição de uma das empresas mais valiosas do mundo.
Pois bem.
Lembro bem como aconteceu a decadência dos anos 80. Não foi um processo rápido. Pelo contrário (e esse é o perigo). A decadência de um negócio ocorre aos poucos.
Uma decisão equivocada aqui, alguém com falta de visão ou objetividade ali.
E um dia, boom… no pior dos sentidos.
Jobs morreu. E é claro que associar qualquer tropeço atual da Apple a este fato seria leviano. As ações, inclusive, estão em níveis históricos de valor.
Tudo nos leva a crer que o sucesso deve continuar e que uma crise como a do passado não vai voltar a acontecer.
Mas o peixe é o último a reconhecer o aquário.
Por exemplo: e se apesar da competência de Tim Cook a companhia começar a ceder aos desejos dos acionistas mais influentes?
Porque - ao contrário da inovação - acredito que o principal ativo de Jobs sempre foi a coragem. Coragem de saber o que queria.
Coragem para definir o que fazer e não desviar do caminho cedendo a tentações de dinheiro fácil.
Tenho dois sinais de que está faltando coragem em Cupertino depois da morte de Jobs.
- O primeiro sinal são os dois últimos lançamentos da Apple. O iPhone 4S e o iPad novo. Praticamente nada de relevante mudou. E pouco divulgada foi a notícia de que a Apple está sendo processada por consumidores descontentes com a Siri, a assistente por voz, que apesar de estar em versão beta, deixa muito a desejar. Ou seja, talvez o iPhone 4S tenha sido lançado fora de hora. Quando virá o iPhone 5? Quanto mais a Apple permitirá que outras empresas ditem a próxima geração de smartphones? No iPad novo, além da tela retina, dificilmente alguma outra característica pode ser observada. Dois produtos pouco inovadores e tacanhos, sem a marca do gênio.
- Em segundo lugar, o surpreendente anuncio de que a Apple, em Junho ou Julho deve distribuir dividendos, coisa que a empresa não fazia há mais de 10 anos. O que isso tem a ver com “coragem”? Ora, distribuir dividendos é abrir mão de um dinheiro que deveria estar sendo usado para subsidiar mais inovação. Não é um erro, mas é - sem dúvida - um recado de qual a estratégia a companhia decidiu utilizar. Por que não gastar esse dinheiro para investir em novos setores e fazer a marca crescer ainda mais? Por que não a iKitchen ou o iCarro?
Enfim, como eu disse antes, é muito cedo para falar. E com as ações nessa alta, qualquer voz dissonante soa equivocada.
Pense nisso.
(colaboraram para este texto insights do @fabiolr e do @alechumer. valeu!)
Ajuda à distância.
- Com R$ 48,00 você purifica 400 mil litros de água. O suficiente para 20 mil pessoas terem acesso à água não contaminada por um dia.
- R$ 77,00 você vacina 150 crianças contra o Sarampo.
- R$144,00 é o que custa o parto seguro de 6 bebês.
- Com R$ 276,00 um soropositivo de HIV/AIDS vive mais um ano.
- R$ 432,00 é o custo de um kit de comida altamenter nutritiva, por 5 semanas, para ajudar 6 crianças desnutridas a voltar a ficar em pé.
- R$ 720,00 protegem 10 bebês contrar a transmissão do HIV de mãe para filhos.
- E R$ 1.440,00 equivalem a 6 meses de tratamento de 10 pacientes com tuberculose.
Reflexões após dois dias usando o novo iPad
Eu não sou exatamente isento para falar de Apple.
Véve.
Duas da manhã, estou eu diante da caixa do Pão de Açúcar.
- O senhor pode responder umas perguntas do sistema?
- Preciso mesmo? São duas da manhã e …
- Precisa - disparando a primeira pergunta da tela do caixa.
“Você sabia que a partir de 3/4 o Pão de Açúcar não vai mais oferecer sacolas plásticas? a) Sim b) Não”
- Não, respondo.
- Não sabia? - tenta confirmar a funcionária com certa descrença na voz.
- Não. Eu não sabia.
- Mas em que mundo o senhor véve?
- Eu vévo num outro planeta.
- É?! E como é lá?
- Lá todo mundo tem quantas sacolas plásticas quiser.
- Então o senhor tem que voltar pra lá antes do dia 3.
Há que se gostar das caixas do Pão de Açúcar.
O Brasil não é mais esse.
Quarta-feira de cinzas não tem esse nome à toa.




