30 May

O preço da mulher segundo Mad Men

O episódio desta semana de Mad Men é brilhante. De novo.

Brilhante para qualquer audiência, mas especialmente para quem trabalha com Comunicação.
Tão brilhante, que não posso deixar de falar sobre esse assunto.
(Spoiler alert: pare de ler aqui se você não quer que eu estrague as surpresas da semana)
Vamos lá:
No episódio, a Sterling Cooper Draper Pryce está se preparando para a concorrência pela conta da Jaguar.
A decisão de quem vai atender a conta passa por dois clientes e pelo representante dos revendedores, um personagem melado e asqueroso, que sugere que uma noite com Joan pode decidir pela concorrência em favor da agência. Afinal, seria um voto garantido.
O que fazer, é a questão moral que a agência terá que enfrentar.
Não é por acaso - e sim a marca do brilhantismo do roteiro - que a campanha criada por Don Draper e equipe passam por exatamente este mesmo tema.
Don vende a campanha sugerindo que o consumidor folheia a Playboy vendo uma mulher que jamais poderá ter.
Conquistar uma mulher “dos sonhos”, uma página central era tão comum na época como é até hoje no imaginário masculino (machista?).
Em um de seus mais brilhantes momentos, Don prova que ao ver o anúncio do Jaguar o consumidor vai sentir a sensação de que nem tudo está fora de seu alcance.
Pode não conquistar a mulher, mas a sensualidade do carro, o gosto desta conquista tem o sabor próximo ao de uma mulher inalcançável.
Antes de falar do dilema de Joan, dormir ou não com o cliente, ou mais ainda, o dilema da agência de sugerir isso para uma funcionária, queria falar mais sobre a campanha.
Esse conceito, a idéia de comparar um carro com uma mulher, que parece tão antiquado e politicamente incorreto no seriado, está mesmo superado?
A maioria dos carros não continua sendo vendida para homens, e muitas vezes com a promessa implícita de entregar virilidade?
Lembro de uma campanha que está no ar. Um blind date onde os amigos dizem para a mulher: ele joga tênis, ele é empresário, ele é isso, ele é aquilo. Enquanto o sujeito vai se metamorfoseando na imaginação da mulher. No final, chega o sujeito surpreendentemente (pra quem?) um gatão de meia idade dirigindo seu sedan.
Não é basicamente a mesma promessa do Mad Men?
“Com esse carro você será um homem melhor”
Poneis Malditos não é isso no fundo? Você quer se identificar com a performance dos poneis ou quer ser um garanhão?
Cresceu o número de categorias, mas do esportivo ao família, do sedan à pickup, a campanha de Don Draper continua atual, que medo.
Aí lendo este texto aqui, me dou conta que a Jaguar ficou ofendida com o seriado.
Não gostou da proposta da Joan de tornar-se sócia em troca de sexo.
A própria Jaguar em seu twitter, apoiou a decisão da redatora Peggy em deixar a agência (outra sugestão do episódio de que não é fácil ter a mulher que se deseja, neste caso Don Draper perde sua braço direito na Criação).
Mas nenhuma linha sobre a campanha e seu claim.
Ou melhor, na AdAge, o cliente - que alega não ter nenhum controle sobre o script - tenta justificar a campanha dizendo que existe um certo “apelo emocional”.
Na verdade, para a Jaguar e talvez para todos nós, sexo por dinheiro no ambiente corporativo é mesmo intolerável.
Pelo menos sexo por dinheiro em espécie.
.
Nota: vale conferir o que a AdAge fala a respeito. E seguindo a dica do Anselmo da Ogilvy, confira o seriado The Pitch.
29 May
enquanto você ta aí, eu to aqui.  (Taken with instagram)

enquanto você ta aí, eu to aqui. (Taken with instagram)

Taken with instagram

Taken with instagram

welcome to Rio (Taken with instagram)

welcome to Rio (Taken with instagram)

26 May

Parabéns a rafaromano que traduziu o clipe do Adnet para que a gente possa entender tudo.

23 May
ecochatos, uni-vos. chegou a zero. #eletrica  (Taken with instagram)

ecochatos, uni-vos. chegou a zero. #eletrica (Taken with instagram)

9 May

Revolução é o cacete.

Existe um mito no ar.
O mito da revolução 2.0.
Querem convencer você que agora, finalmente, qualquer um pode participar de uma suposta mudança da mídia e da produção/venda da Cultura Pop.


“Agora, qualquer criança pode fazer um vídeo em casa e ficar famoso”, é o mote dessa gente.

Essa é a bobagem 2.0 difundida por todo canto.

A ideia sugere que foi aberta uma janela para o mundo que estava fechada no passado.
É bonito mas essa é só uma meia verdade.

Segundo essa teoria, Justin Bieber, por exemplo, só surgiu porque um produtor descobriu o garoto prodígio quando encontrou seu vídeo no YouTube.
Como se não tivesse existido nenhuma Boy Band, nenhuma estrela-mirim antes do Bieber.

Bobagem.
Um talento como Justin Bieber (talento tão questionável quanto qualquer outra Boy Band) teria estourado com ou sem YouTube. E se não fosse ele, seria outro, mas não se deixe convencer. Não acredite no mito de que agora ficou mais “fácil” conquistar a mídia. 
Alias, falar mal dessa democratização é politicamente incorreto, porque muita gente ganha dinheiro iludindo agências e clientes. 
Muita gente vive exatamente de superestimar a força das redes sociais e do 2.0.

Mas a real é que o fenômeno é muito mais simples do que se vende por aí.

No passado existia apenas um punhado de “geradores de conteúdo”. 
Ninguém pensava em quanta informação o público poderia receber, porque não existia nenhuma possibilidade de sobrecarregar os canais existentes, com os poucos geradores de conteúdo da época.
Nego lia um livro, via um noticiário, assinava um jornal, lia algumas revistas e vivia a vida-lá-fora no resto do tempo que lhe sobrava.

O mundo mudou, mas muita gente ainda continua olhando só para o lado do gerador de conteúdo, sem se dar conta que passou a ser importante olhar também para a outra ponta, a do receptor-espectador-usuário-internauta e de como você e eu gerenciamos nosso tempo para tanta oferta de informação/conteúdo.

Descobrir como cada um gerencia seu Tempo é, sim, a grande arma nessa Revolução. 
(E exatamente por isso, o Curador 2.0 ganhou importância, seja ele o sujeito que você segue no Twitter, seja uma marca que ajuda você na dura tarefa de filtrar o que é relevante)
Quando a oferta de conteúdo é ILIMITADA como a de hoje, a capacidade de absorção de informação não é mais irrelevante como era no passado. 

Quando a gente acredita que cada um, hoje, é um produtor de conteúdo, esquecemos que do outro lado, para dar conta de tanta informação, o receptor-espectador-usuário-internauta  tornou-se menos atento e muito, mas muito menos impressionável.
Por exemplo: se você, no passado, dava conta de descobrir, digamos, 5 bandas de rock por ano e agora descobre 56, uma a cada semana já que os canais se proliferaram, não se iluda. Sua atenção para cada banda foi reduzida a uma mera fração. 

Todo mundo pode ficar famoso por 15 minutos,  em 15 minutos. Do anonimato para a fama e da fama para o anonimato em apenas 15 minutos.
E essa é a pegadinha da Revolução 2.0

A família “Para Nossa Alegria” ficou famosa no YouTube, e com isso, não provou que os meios estão mais democráticos. 
Nada disso.
Eles apenas ocuparam o espaço de uma bobagem semelhante, que seria divulgada pelo Raul Gil há 20 anos. 
Só isso.
A possibilidade de você, que canta bem, gravar um YouTube e ser descoberto por um produtor, depois que seu vídeo tiver 2 milhões de acessos, parece realmente sugerir que você tem mais chance de explodir. 
Mas não tem. 
A chance de você conseguir dois milhões de likes dizendo que você canta bem é tão remota quanto era quando você mandava uma fita demo para 15 produtores, na esperança que algum “descobrisse” você.
Só que como todo mundo testemunhou o que aconteceu com os Para Nossa Alegria, ou com a Suzane Boyle, ficamos com essa sensação de que agora qualquer um de nós pode mudar o mundo.

Mas, infelizmente, não pode.
(Cabe aqui o parenteses do nicho. Este é um capitulo a parte e, sim, a democratização do online pode fazer a diferença. Taí o Jovem Nerd, por exemplo, que dificilmente teria encontrado sua audiência cativa há 20 anos. O problema é que, salvo honráveis exceções, como essa do exemplo, nem sempre é fácil ganhar dinheiro e sobreviver apenas com a receita gerada pelo nicho que você se dedicar)

O fato é que sua presença online não é mais relevante que sua presença offline.

A ilusão da importância deste alcance, desta cobertura, cria o tal mito da Revolução.
Veja meu caso, pobre de mim.
Tenho 168 mil followers no Twitter. 
Aí minha filha pediu que eu twitasse sobre a fanpage que ela criou, pedindo likes.
Twitei 3 vezes.
Sabe quantos likes vieram?
5.
Provavelmente de quem é meu amigo, no off.
Por que?
Porque esses 168 mil followers são uma abstração. O tempo que eles dedicam a mim ou a qualquer outro assunto é muito menos do que uma fração de segundo.
Só que a gente adora números.
Então a gente se impressiona.
E acredita mesmo que existe a tal revolução.
Os números de followers, likes, clicks são absolutamente ilusórios e essa suposta cobertura, é uma ENORME falácia.
E pior.
Esses números criam uma angustia nos clientes que agência nenhuma conseguiu resolver.
O que estão falando de nós online? 
Como monitorar e gerenciar esse discurso?
Que consequência terá tanto debate sobre minha marca?
Sinceramente?
Consequência quase nenhuma, quanto mais passa o tempo, mais me convenço.
Não é porque agora você testemunha que falam mal de você, que estão falando mais mal de você do que antes.
Exemplo:
Todo mundo sempre soube que boa parte das operadoras de celular são um lixo. 
Que o sinal cai. 
Que 3G não rola como deveria no Brasil.
Todo mundo sabe que sempre foram campeãs de reclamações no PROCON. 
Não é porque estão falando mal de operadoras no twitter que alguma coisa vai mudar.
Um problema não é mais grave porque é mais comentado. 
Poderia ser. Deveria ser. Mas não é.
Exatamente porque a crítica essa crítica 2.0 às operadoras - será diluída num caldo de para-nossa-alegria-fotos-da-famosa-pelada-críticas-a-provedores-fofocas-do-dia e etc. que levarão a tal crítica ao status de irrelevante aos olhos do usuário. 
É só mais uma crítica.
É só mais um twit.
Volátil e sem importância.

É a Regra da Diluição: quanto mais informação, menos importante é a informação.

Pense nisso: o fato de todo mundo gerar conteúdo, não torna todo conteúdo criado importante. Pelo contrário. Torna cada um de nós um filtro mais e mais afiado, que não dá importância a quase nada.
Aí você dirá: mas as redes sociais criaram a possibilidade de uma Manifestação Articulada que mostre a força do consumidor.
É mesmo? Então cite um exemplo onde isso funcionou.
No churrasco de gente diferenciada? 
Sério?
Não me entenda mal.
Não estou negando a importância das redes sociais. 
Não estou querendo ignorar a importância do colaborativo, do conteúdo gerado por usuário, da mobilização online, do power to the people ao poder da segunda tela para as emissoras.
Estou apenas incomodado de ouvir um discurso que dá a entender que a Banda Mais Bonita da Cidade é filhote do 2.0, que - por consequência - o sucesso está ao alcance de qualquer um.
Não está.
A Banda Mais Bonita da Cidade não somou +1 na lista de sucessos da MPB. 
Apenas tirou o lugar de uma outra banda qualquer, mais feia, mas que teria ocupado esse espaço valendo-se dos meios antigos.
Você e sua banda continuam tendo uma chance mínima de se destacar.
E a propósito, seguindo a Regra da Diluição aí de cima, onde foi mesmo parar a Banda Mais Bonita da Cidade?
Em resumo: 

1. Entrar no radar da massa continua tão difícil quanto no passado. A cobertura democrática é só uma ilusão. 
2. A aparente democratização do acesso ao espectador, apenas sobrecarregou o próprio espectador e deixou qualquer mensagem mais volátil do que antes.
3. Se de um lado, qualquer mané tem cobertura mundial, 99.9% desses manés continua sem nada relevante para dizer.
4. Se você faz sucesso a partir deste mundo online, desconfio que você teria também feito sucesso no mundo offline.
5. Sucesso, hoje, dura muito menos tempo, porque todo dia tem alguém ocupando a atenção do consumidor.
6. Apesar de sua suposta “cobertura global”, sua chance aumenta quando você foca num nicho (e isso sim é novo: agora é possível focar em nichos que antes eram praticamente inacessíveis).
7. O resumo da ópera: não se deixe enganar. A Revolução 2.0 não torna o sucesso mais PROVÁVEL que no passado. Torna-o apenas POSSÍVEL. 
E finalmente, mais do que nunca, vale a regra universal: você não se preocuparia tanto com o que pensam de você, se soubesse como pensam pouco em você.

Colaboraram (mas não necessariamente concordam) @aldera30 @matheusflandoli @fsbotton e @cavallini
6 May

Minhocada

Agora que a palhaçada já aconteceu, nego fica querendo dizer que a culpa é de um tal “brasileiro mal educado”. O populacho.
Dizem que o povo não sabe fazer fila, que se atracam para comer galinha grátis porque não têm educação.
Fui ver o que aconteceu.
Organizaram uma Galinhada, assim com caixa alta, porque foi comandada pelo Alex Atala, um dos mais prestigiados Chefs da atualidade.
A Galinhada, atração da Virada Cultural, tinha que acontecer às 00:00 do domingo.
A fila começou a se organizar cinco horas antes, no Minhocão.
Uns dizem que chegou aos 300 metros, outros exageram até um quilometro.
Depois de 45 minutos da hora marcada, mais de 5 mil pessoas esperavam por essa oportunidade única.
E quantas porções os organizadores previram?
Hein? Hein?
Quantas você faria?
Chef famoso, comida (quase)de graça, sábado à noite no Minhocão?
Quantas?
Quinhentas.
Isso. Quinhentas.
Já fui à festas de aniversário com mais de 500 convidados.
Sinceramente, Virada Cultural é bacana. Mas convenhamos, a gente tem que perder a mania de achar que São Paulo é Munique ou Lion.
E não é pela qualidade do povo e sim pela quantidade.
Festa popular, de rua, aqui tem que ser dimensionada para milhões e não para centenas.
Se não teve morte, foi sorte.
Alias, será que não tem nenhuma empresa querendo patrocinar a maior Galinhada do mundo, com o talento do Alex Atala e a organização que ele e o brasileiro merecem?

23 Apr
#sketch chuva (Taken with Instagram at Arena Fat5)

#sketch chuva (Taken with Instagram at Arena Fat5)

20 Apr
insonia

insonia

17 Apr

Sic.

Prezada Presidente,

Entendo que Vossa Excelência deseje ser chamada de “Presidenta”, como uma homenagem ao fato de representar o sexo feminino no poder.
No entanto, apesar de poder muita coisa, um Presidente não pode modificar a gramática da língua.
Seu desejo não pode e não deve ser acatado, simplesmente porque Presidente é, na verdade, o participio ativo do verbo presidir. E nossa gramática define que quem exerce a ação do verbo é o verbo acrescido do pós fixo “ente” ou “inte”. 
Quem ataca, é atacante, mesmo que seja a Marta. Quem estuda é estudante, mesmo que seja a Geisy Arruda e quem preside é o presidente, mesmo que seja Vossa Excelência.
Update: Apesar do que foi dito acima, o prof. Pasquale alega que a palavra Presidenta existe nos dicionários como exceção à regra. Mesmo assim, conclui: “o fato de haver registro da variante de uma palavra não dá a ninguém o direito de exigir dos outros o uso dessa variante, muito menos o direito de corrigir quem não a usa”
13 Apr

(Source: vimeo.com)

11 Apr
Inflama Rio! 1,2 e já, começou :))) (Taken with instagram)

Inflama Rio! 1,2 e já, começou :))) (Taken with instagram)

10 Apr
toys. :) cc @panhoca  (Taken with Instagram at Bullet)

toys. :) cc @panhoca (Taken with Instagram at Bullet)

4 Apr

O seu melhor amigo.

Não vou dar nomes. 

Você vai saber de quem estou falando.
Este texto serve para algumas prestadoras de serviço que precisam, eventualmente, calibrar modens ou decoders que você instalou em casa para prover o serviço que você contratou.
Funciona assim: você vai lá e contrata o serviço, num site que tem tantas animações quanto promessas.
Nego vem, instala e por um tempo, tudo funciona como deveria.
Até não funcionar mais como deveria.
Aí você tenta resolver por telefone.
As vezes resolvem, as vezes não.
Quando não resolvem, depois de um seis meses de contrato, mandam um técnico.
Não se iluda. 
Ele não é um técnico. 
É seu melhor amigo.
Ele vai mexer aqui e ali e vai dizer que está tudo arrumado.
Mas não está.
Como você vai saber?
Porque quando este técnico for embora de sua casa, ele vai deixar um papel qualquer.
Um bilhete.
Uma nota fiscal.
E lá, logo abaixo do nome dele, está o celular.
Só um amigo deixa o celular.
E esse é o sinal.
O celular quer dizer o seguinte, para você que ainda não entendeu:
“Amigão, não se engane. Eu sou o todo-poderoso-dono-de-todas-as-chaves do produto que você contratou.”
Seus problemas estão resolvidos.
Mediante o pagamento de uma pequena propina, um técnico desses é capaz de dobrar a velocidade da sua internet, instalar um pacote extra de canais, liberar o Paulistão, é só pedir.
Ele é capaz também de ajustar os botoezinhos para que você, honesto, receba o serviço que pediu.
Ele é mais importante do que aquele diretor de marketing que você achou que era seu amigo.
A empresa lá, nem liga, desde que você continue pagando seu contrato todo mês.
Percebe que todo mundo acaba feliz?
Você com o que precisa e achou que tinha contratado, a empresa com um assinante a mais e o técnico com um “bônus por eficiência”, pago por você.
A receita não é nova.
Funciona com a Polícia Rodoviária.
Funciona em Brasília que é uma beleza.
E agora está aí, ao alcance do seu lar.
Quando empresas ou o Estado conferem poder a quem é mal pago, dá nisso.
“Deixa uma cervejinha patrão” resolve qualquer problema, como sempre resolveu.
Agora senta e chora.