não conte para a mamãe

Sou o Neto, CCO da Bullet, Mentor Neto no Facebook e o @Neto no twitter.

Não sou o Neto da Band, nem sou o pagodeiro que bate em mulher.

E esse é o Não Conte Pra Mamãe.

Clube de Campo from Mentor Neto on Vimeo.

Fevereiro de 2018

Ski 2 from Mentor Neto on Vimeo.

Ski 20/01/171

Clube Dez 2017 from Mentor Neto on Vimeo.

Teste noise/color grade

ISTOÉ 22/10/2016

Você tem mesmo razão.

Não sou Ministro do STF. 
Não sou Desembargador, nem Juiz.
Não sou Advogado. 
Nem Síndico do prédio ou, sei lá, Escoteiro-Mirim.
Pode me chamar de cidadão trouxa que acompanha as notícias do país com a ingênua esperança de que as coisas um dia comecem a melhorar.
Que o país um dia seja mais educado. Mais honesto. Mais saudável. Mais seguro.
Não acredito no conceito liberal de um Estado Mínimo.
Nem compactuo com a pré-histórica utopia socialista.
Não concordo com a tributação pornográfica que nos é imposta.
Na justa medida que também não concordo com os projetos sociais que não se auto-sustentam.
Ninguém com um QI de mais de dois dígitos deveria comprar o que nos vendem a direita ou a esquerda viciadas de hoje.
Na ignorância da polarização atual, pode me chamar de “isentão”.
Ou de trouxa, ficou feliz?
Porque ainda acredito num Estado equilibrado.
Menos paternal, menos controlador. Mais econômico, mais competente.
Assim como uma criança que cresceu mas ainda quer acreditar em Papai Noel, mesmo compreendendo as evidências de que sua existência é fisicamente improvável.
Acredito que - através da democrática distribuição de recursos - por exemplo na Educação, a gente aos poucos melhore as condições de vida dos menos favorecidos.
Acredito que um dia surgirá uma elite melhor formada, consciente de sua responsabilidade social.
Vai. Pode falar que eu não ligo: Netão, acredito que você é um trouxa.
Ponto, parágrafo.
Aí me aparece esse Desembargador que imagino ser uma pessoa séria e preparada, sem nenhuma agenda secreta, e anula o julgamento dos PMs que executaram os presos do Carandiru.
Podemos discutir por outros 14 anos se são mesmo culpados.
Ou o fato do Governador Luís Antônio Fleury e seu Sec. de Segurança Pedro Franco de Campos jamais terem sido sequer acusados.
Ou ainda se foram omissos ao mandar o Cor. Ubiratan sentar o dedo no gatilho e botar na conta dos presos.
Ou a morte suspeita do Coronel.
Mas não precisamos discutir. Porque foram julgados e condenados.
Até o Desembargador anular o julgamento.
Mesmo assim acredito que o Desembargador deva ter lá suas razões. 
Não li as cem páginas de sua decisão.
Já sei que você insistirá que sou trouxa.
Assim, seguia eu trouxo na vida, quando leio que o Ministro Luís Roberto Barroso, indicado ao STF pela ex-Presidente Dilma, declarou extinta a pena de 7 anos e 11 meses a que foi condenado José Dirceu.
Oi?
Procuro entender o motivo para continuar minha vida trouxa.
E o motivo é nenhum. 
Dirceu não está à beira da morte, não surgiram novas provas, não houve equívoco nenhum na condenação ou irregularidade no julgamento.
A extinção da pena deveu-se apenas ao fato de Dilma ter dado ao facínora o indulto natalino. 
Os deputados federais João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto também tiveram suas penas extintas sob a mesma alegação.
Dilma levantou a bola e o Ministro chutou a pena para escanteio.
Por sorte Dirceu não está livre. Tem ainda vinte anos do Moro para cumprir.
Mas esse fato, sozinho, finalmente provou que você tem razão.
Sou mesmo um trouxa.

ISTOÉ 15/10/2016

A Lenda do Primeiro Andar e Outras Fábulas

Estou pensando em escrever um livro para crianças.
Um livro baseado nas fábulas que algumas celebridades e artistas em geral têm contado para seus bois dormirem.
Aquele povo que chama a Globo de golpista mas não recusa convite para trabalhar na novela das nove.
Como a versão deles do que tem acontecido no Brasil não vai estar em nenhum livro de história, alguém precisa registrar essas fantasias para seus descendentes.

A primeira história vai chamar “Um Golpe na Rainha”.
O resumo:

“Era uma vez um formigueiro liderado por uma Rainha que não entendia nada de formigas.
As formigas também não entendiam nada do que a Rainha dizia.
O formigueiro estava um caos.
O formigão presidente da corte suprema era amigão da formiga Rainha.
Mas as formigas operárias, tão ingênuas, foram enganadas pela corte das formigas e pela elite do formigueiro.
A Rainha, tão boazinha, foi atirada às masmorras do ócio.”

As crianças não vão entender muito essa história.
Vão perguntar:
Mas pai…se o formigueiro estava um caos, se os que tiraram a Rainha eram amigos dela, porque a história se chama “Um Golpe na Rainha”?
Cala boca, moleque. História de criança é assim mesmo. Não tem nem pé, nem cabeça. Olha só Chapeuzinho Vermelho. O lobo elitista come a vózinha oprimida e ela sai inteira da barriga. Continua lendo aí!

O livro vai continuar com a fábula “Um Novo Rei, Fora o Novo Rei!”

“Num reino muito distante os miseráveis operários finalmente assumiram o poder.
Festa do novo Rei Operário.
Mas o reino ruiu, então trocaram o Rei pelo Vice-Rei.
Quando o Vice-Rei assumiu os que votaram nele o acusaram de ter usurpado o poder.”

Nosso pequeno (e)leitor dirá:
Não entendi pai…não foram eles que escolheram o Vice-Rei que virou Rei?
O pai vai fingir que não ouviu.

Segue o livro.
Chega o último capítulo, “A Lenda do Primeiro Andar”.
É um conto mais longo.
Contemporâneo.
Poderia ser uma série no Netflix.
Conta a história de um prédio que só tem dois andares.
O de baixo é repleto de de pobres.
O de cima é composto por gente rica e festiva.
Os andares do meio, não aparecem na história.
Foram ignorados porque estragaria o roteiro falar em classe média.
A narrativa é um resumo de todas as histórias do livro.
Fala da luta do bem contra o mal.
Conta como o mal eleva o juros, apoia os empresários e despreza o povo trabalhador.
Termina mostrando um passado idílico e um futuro tenebroso.

O garoto fecha o livro e pensa por dois minutos enquanto o pai orgulhoso aguarda sua reação.
Mas pai, os juros não começaram a crescer no Governo Dilma? O Henrique Meirelles que você mete o pau não foi Ministro do Lula? O Temer não se elegeu junto com a Dilma? O Levandowsky, que tirou a Dilma, não foi indicado pelo Lula? Os milhões que foram às ruas pelo impeachment eram só elite? Não tô entendendo nada desse livro.
O pai olha para o filho decepcionado.
Lembra de todas as esperanças que teve desde que o menino nasceu. Baixa a cabeça e em voz mansa e derrotada diz:
Dirceuzinho, fecha essa porra desse livro e vai jogar bola. - num lamento, desiste do garoto.

ISTOÉ 08/10/2016

Amor Sem Fronteiras.

Trump perdeu a eleição e decidiu vir passar uns tempos no Brasil.
Escolheu o Rio de Janeiro.
- Mulétas! Córnaval! - ensaiando um chute sem jeito. - Soccer!
Optou por um estilo de vida low profile.
Comprou o edifício Juan les  Pins, no Leblon.
Caminhava pelo calçadão todos os finais de tarde.
Aplaudia o por do sol no Arpoador de sandália de couro Prada.
Todo mundo sabia quem era ele, mas no Rio ninguém dá bola para famoso.
Um dia cruzou com Dilma, ela de bicicleta, ele de bermuda Louis Vuitton rosa, de veludo cotelê.
Em frente ao coqueirão se abraçaram.
Eram apenas conhecidos, mas no Rio todo mundo é brother.
Dilma foi solidária à derrota do amigo.
Começaram a se encontrar nos finais de tarde no Riba para um choop.
Uma coisa leva a outra, sabe como é.
Dilma e Trump passaram a ser vistos juntos em ocasiões sociais.
Na Árvore de Natal da Lagoa fizeram um selfie e publicaram no Instagram.
Oficializou.
Mas Dilma não dá ponto sem nó.
Um plano foi amadurecendo ao longo dos meses de relacionamento.
Aos poucos, apresentou Trump para os amigos mais próximos.
Sem revelar para ninguém, articulou alianças.
Mas faltava ainda a peça principal.
Numa manhã Dilma acordou com Trump lendo jornal ao seu lado.
Estava indignado.
- Brazil is not a serious country! - xuxando o morango no doce de leite.
- Sirio? Quem é Sirio, amor? - Dilma respondeu o que conseguiu entender.
Precisava aproveitar aquela indignação para o próximo passo.
Traduzo o que deu para entender:
- My Love…estive pensando…thinking. - lânguida.
Trump seguiu lendo o jornal, desinteressado.
- What Dilma? What? Speak woman! - Trump jogou o cabelo para trás.
- E se nós…você e eu…wes (que é o plural de we)….nos uníssemos para resolver os problemas do Brasil, you know darling?
- Solve Brazil’s what? What do you mean?
- A eleição…2018 está aí. Temos experiência nisso…Você presidente, eu vice, hein? hein? - fez o gesto universal da faixa presidencial.
A primeira reação de Trump foi a pior possível.
Onde já se viu um nome como o dele, candidato a Presidente dos EUA, eleito numa republiqueta latina?
Mas o tempo é senhor da razão.
Trump andava mesmo entediado com a rotina comida natural, calçadão e chopp.
E eram amados pelo povo!
Todos gritavam elogios para eles.
Dilma traduzia tudo com paciência.
E Trump era empresário, que está na moda.
O Prefeito Freixo deu todo o apoio.
Para a campanha, chamaram a equipe que elegeu o Doria.
No começo as pesquisas receberam muito mal o casal.
Ficaram atrás do Alckmin, pensa.
Mas considerando os outros candidatos, em pouco tempo se transformaram numa candidatura viável. 
Trump como mestre sala, Dilma de porta bandeira era a imagem chave da campanha.
Escola de Samba genérica que é para não pagar direito de imagem.
O jingle era uma versão chorinho do Hino Americano.
- Brasileiro gosta dessa coisa internacional. - o marqueteiro garantia.
No dia da eleição estavam virtualmente empatados com a chapa Bolsonaro/Malafaia e Alckmin/Tiririca.
Cada um com 30% da preferência. Os 10% indecisos é que decidiriam.
Encerro aqui para deixar você no suspense.
Então pergunto:
O que, nessa história, é tão impossível?
Vai na minha, brother.
Brasil is not Sirio.

ISTOÉ 01/10/2016

O Japonês da Federal bateu à porta do palácio.
Um sujeito alto, vestindo a farda imperial atendeu:
- Pois não? - arrogante.
O policial empurrou o sujeito para o lado com um mandado de busca e apreensão.
E condução coercitiva.
Doze federais armados e mascarados invadiram os aposentos do Imperador.
Encontraram D. Pedro I deitado, de ceroulas, tirando a siesta.
Saiu com as mãos para trás simulando algemas.
A imprensa caiu de pau.
Moro respondeu que não adiantava reclamar.
Que os corruptos atuais já estavam todos presos.
- …mas a corrupção no Brasil é uma herança ancestral. Por isso decidimos ir atrás das origens.
Era a segunda vez que Moro precisava se explicar.
A primeira foi quando acatou a representação do Ministério Público contra Tiradentes, sob protestos do Conselho Nacional de Odontologia.
Ninguém vai escapar. Não temos compromisso com partido nenhum. Nem Republicanos, nem Federalistas. Nem Esquerda, nem Direita.
O Marechal Deodoro foi preso e julgado por uma corte militar.
O processo de impeachment retroativo começou a tramitar.
A elite branca clamava pela prisão de Getúlio.
Ao Japonês, Moro determinou que Vargas não tivesse acesso a nenhum objeto cortante e que deveriam tirar dele o cinto e a gravata.
Café Filho escapou porque ninguém lembrou dele.
Juscelino foi condenado a 50 anos. Prisão domiciliar em 5.
Conforme as prisões prosseguiam, a tensão tomava conta do país.
Chegavam perigosamente perto dos Presidentes militares.
Prenderam Jânio.
Nada teme-lo-ei pois inocente sou. - afirmou.
Jango escapou.
Ao contrário do que se esperava, a Operação Onça Pintada, nome dado em homenagem à mascote do exército, correu sem maiores dificuldades.
Castelo Branco, Costa e Silva, Medici, Geisel e Figueiredo foram presos no mesmo horário e se entregaram sem resistência nenhuma.
Dividiram a mesma sela.
Sela com s.
Daquele cavalo do Figueiredo que cheirava melhor que o povo.
País em festa.
Moro prendeu todo mundo.
O pessoal da Coroa Brastel, os anões do Orçamento, Banestado, Sivam.
Resolveu o caso Celso Daniel, os fundos de pensão.
Apreendeu os carros do Collor, o pessoal das merendas de São Paulo, os que fraudaram os remédios do SUS, corruptos, ladrões, canalhas, ratos de todos as subespécies.
Maluf foi entregue para a Interpol.
Presidentes recentes e seus parentes cumprindo cana generalizada.
Moro não podia mais sair às ruas.
Era ovacionado, carregado, tinha roupas rasgadas como, sei lá, um vlogger.
Mas não era um homem feliz.
Sabe aquela sensação de que falta algo? - insistia ao psicólogo em sua sessão semanal.
Tirou um sabático.
Sumiu.
O povo sentia a sua falta.
Fizeram músicas tipo Renato Russo.
Imploravam sua volta.
Um dia, assistindo um Corinthians e Atlético Paranaense, teve uma epifania.
Assumiu de volta prometendo finalmente resolver seu derradeiro desafio.
Sua piece de resistance.
Dia seguinte, logo cedo, o Japonês e sua equipe estavam plantados no aeroporto do Galeão.
A seleção da Alemanha foi presa 18 horas antes do 7x1.
O país tomou às ruas.
O herói voltou.
Moro se aposentou no mesmo dia que inauguraram sua estátua no Maracanã.
O país, finalmente, poderia cumprir em paz o seu destino.

ISTOÉ 24/09/2016

Poker na casa do Lula.
A turma de sempre: Sarney, Zé Dirceu, Dilma, Cunha e Renan.
Todos bebem cerveja e riem alto, sentados em volta da mesa de feltro.
Dirceu estica o baralho e cada um tira uma carta. 
Lula sai com o rei de ouros.
– O presidente dá as cartas – ordena Dirceu.
Toda semana é a mesma coisa.
Sarney nunca sobe a aposta, só sobrevive.
Zé Dirceu dá all in em todas as mãos, atrapalha o jogo.
Dilma não sabe jogar, só perde dinheiro.
Renan tenta blefar, mas os outros são mais espertos.
Cunha é flagrado com um ás na manga do paletó.
E todos sempre deixam Lula ganhar.
Toca a campainha.
Os jogadores se entreolham, tensos.
– Tão esperando alguém? – pergunta Lula.
Não estão.
E a pizza já chegou.
Temem pelo pior.
O ex-presidente faz piada disfarçando o medo:
– Só falta ser aquele cretino de Curitiba, justo hoje que eu tô ganhando.
Todos riem amarelo.
Marisa sai da cozinha, deixa um prato de risoles na mesa e vai abrir a porta.
Olha pelo buraquinho.
– Relaxem! – grita a ex-primeira-dama – É só a morte!
Todos se ajeitam e respiram aliviados.
A morte, num manto negro e segurando uma foice, desliza pela sala precedida por uma ventania.
Passa por trás de cada jogador, simulando dramaticamente golpes de foice.
– Fala, filha! Vai levar quem hoje? Decide logo aí que nóis tamo jogando – comanda Lula, durão.
Sarney levanta:
– Bom, como não é comigo, aproveito pra fazer um xixizinho.
A morte bloqueia o caminho de Sarney e o empurra de volta à cadeira.
– A escolha é de vocês – revela numa voz gutural – vim porque o País não aguenta mais tanta safadeza. Qualquer um serve, só preciso fazer uma politicazinha. Que nem fiz na Venezuela e na Argentina, com o Hugo e o Nestor.
– Mas somos jovens! Temos muito pela frente! – se defende Dilma.
– O critério não é idade, querida. É maldade – explica a morte.
A resposta cria uma acalorada celeuma entre os convidados.
A morte senta enquanto espera a decisão.
Cutuca Cunha no ombro.
– Não tem xadrez nesta casa? Prefiro xadrez.
– Pelo amor de Deus, não fala isso! A turma morre se ouvir falar em xadrez – Cunha cochicha e volta à discussão.
A morte embaralha as cartas com suas longas unhas.
Depois de duas horas, os políticos chegam a um acordão.
Dirceu abre a negociação.
– Morte, é o seguinte: há várias formas de resolver um impasse.
– Hum… E daí? – responde, desconfiada.
– Apesar de realizada na vida, você deve ter ainda algum sonho – Cunha segue o jogral.
– Uma viagem de primeira classe… uma vila na Provence… – diz Sarney.
A morte olha para o infinito, coçando o queixo.
– Para dizer a verdade, eu sempre quis ter um… – deixa escapar, mas rapidamente volta ao dever do dia – Não adianta! Eu preciso levar alguém hoje, sem falta!

Três dias depois.

Na internet a manchete:
“Empreiteiro morre poucas horas antes de sua delação premiada.”
A morte desliga o computador, levanta e caminha vitoriosa pelo recém-adquirido apartamento em Miami.
Da varanda pensa “hoje vai dar praia”.
Negociando com jeito, afinal, todo mundo ganha.
E segue o jogo.

(Inspirado no conto Death Knocks, de Woody Allen)

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