Sobre a PM na USP
Sou do tempo em que o campus de uma Universidade sonhou ser um território livre para a expressão de idéias.
Um laboratório aberto para se pensar o que a sociedade aqui fora poderia ou gostaria de se transformar.
Não. Não me refiro ao tempo de Platão ou Sócrates. Sou velho mas não tanto.
Me refiro à década de 70 do século passado onde nosso modelo de Universidade queria se parecer com as faculdades da Califórnia onde o hippie florescia junto com o sonho de um salvo conduto para estudantes.
Me refiro à um período onde - apesar do caos que imperava do lado de fora dos portões acadêmicos - a intelectualidade imaginou poder contar com um oasis de liberdade para expressar suas idéias de contra-cultura.
Não funcionou. Nem naquela época.
Quando ameaçado, o poder vigente invadiu os campi daqui e da Califórnia e baixou o sarrafo.
Fumar maconha era o de menos. O que nego não podia, naquela época, era pensar de maneira perigosa. E só mesmo um ditador para saber como é perigoso deixar os jovens pensarem.
Hoje vejo, de novo, a mesma discussão.
Se a polícia deve ou não estar presente nos campi.
Lamentavelmente, começo a ouvir ecos das discussões dos anos 70, de novo. Só não vejo as idéias pelas quais lutam por liberdade.
Vejo alunos, acadêmicos e policiais, apenas repetindo a história com menos qualidade.
Não se aprendeu nada ao longo dos anos.
Não se aprendeu, principalmente, as seguintes verdades universais. Aqui, na Califórnia e, quem sabe, na Grécia:
1. É uma utopia imaginar um oasis para a intelectualidade poder se expressar sem ser patrulhada.
2. Um campus, livre ou não, sempre terá uma esmagadora maioria de imbecis para meia dúzia de gênios.
3. A não ser que você more em Amsterdã, sempre que você estiver fumando maconha e a polícia aparecer, grite “sujou. os homê!” e salve-se quem puder.