Rio, o filme.
Depois de assistir Rio, como boa parte dos comentários que li, também saí com a sensação de que o filme está repleto de estereótipos. Levei alguns dias para perceber que esta foi apenas uma constatação, não necessariamente uma crítica. O Rio de Janeiro se presta mesmo aos estereótipos. Talvez seja por sua beleza natural que acaba funcionando como receita de sucesso para determinados personagens recorrentes. O traficante, o favelado, o filhinho de papai drogado, o surfista, a gostosa da praia, o sambista malandro, o passista, a mulata porta-bandeira e por aí vai. O Rio já vem com um kit de personagens acompanhando o cenário. Difícil escapar. Algumas localidades tem essa característica. O italiano mafioso, o grego pescador, o russo assassino etc. Cidades como Tokio, Nova Iorque e até São Paulo são mais versáteis para contar histórias específicas, talvez porque - apesar de também terem seus padrões - sua amplitude e falta de personalidade acaba por permitir maior especificidade aos personagens. Na verdade, dizer que uma história tem personagens clichê, estereotipados, não é - necessariamente - uma critica. O judeu perdedor de Woody Allen está aí para provar. O que incomoda em Rio não são os estereótipos. O que incomoda é a constatação de que o que nos restou foram, de novo, os estereótipos do tráfico (de aves para não dizer de drogas). O que incomoda é a dura constatação que o filme seria muito mais lindo se fosse tão singelo quanto o que imaginamos antes dele começar, com nossos próprios estereótipos e clichês particulares.