A grafia como estilo.
Com isso de me confundirem com Neto da Band recebo dezenas de mensagens por dia de completos estranhos. Homens, mulheres, na maioria entre seus 15 e 25 anos. Por forma e conteúdo, arrisco a pretensão de achar que a esmagadora maioria é de gente simples, ingenua até. Falam com o Neto da televisão com a intimidade do convívio diário. Xingam e elogiam, com igual facilidade. o todo jovem, de qualquer época, tentam ser diferentes a sua maneira. Sabe aquela história de que, na intenção de ser diferente, os jovens acabaram sendo todos iguais? Então. Imagine agora, com uma micro foto e limitação de espaço. O esforço para se destacar precisa ser gigantesco. Consequentemente, ficam todos micro iguais. Meninos de bonés e cara de mau, meninas com batons exagerados e cara de festa. Alias, impressionante a quantidade de fotos horrorosas, escuras, fora de foco, tremidas (e lembre-se que refazer uma foto para o avatar é virtualmente gratuito). Ou seja, sujeito põe la seu boné, faz uma careta qualquer e pronto. Mais uma foto para a matriz de thumbnails figurantes. Os textos são em lingagem oral, como não poderia deixar de ser. O Twitter tem essa característica de aproximar a linguagem escrita da oral, talvez pelo desafio das 140 letras. E chamam a atenção os erros de grafia. Não estou falando dos “vc” ou do “k” no lugar de “ca”, nessa lingo-econômica do MSN que inventaram anos atrás. Esse jeito de escrever abreviado até tem seu charme. É a linguagem escrita viva, adaptada ao meio pelos seus próprios usuários. Falo de erros inconscientes. Sérios. Propõe, inclusive, que a gente discuta uma outra maneira de ensinar o básico, porque estamos fazendo um trabalho medíocre na alfabetização. Não conferi, mas arrisco dizer que 90% das mensagens que recebo (ou o Neto da Band recebe) têm erros grosseiros. Então me dei conta do que está acontecendo. Os erros são tão frequentes e tão graves que faz pensar que também não são inconscientes. Acontecem propositadamente, como mais uma forma de se diferenciar. Foi o jeito que encontraram de usar mais um recurso, além do thumb e das 140 letras, para ser diferente. E deve funcionar, o que explica também os e os assimilados pela grande maioria dos usuários do Twitter. Vaiveno. Escrever errado agora é ishtaile.