Impostos sem bom senso. Até quando?
Você provavelmente é muito novo.
Não deve lembrar o que foi o milagre econômico, no fim da década de 60, início da de 70.
Apesar do nome bonito e de algumas consequências positivas, o período foi nefasto para a nossa distribuição de renda e - pior - tem consequências negativas até hoje, na maneira pela qual gerações de brasileiros aprenderam a lidar com o intercâmbio de tecnologias, vendo o importado como inimigo.Entre outras imbecilidades, naquele tempo reinou a reserva de mercado, que também assombra até hoje.
Impostos lá em cima, pra tudo que pode concorrer com o que é nacional.
De tênis à automóveis. Camisa Hang Ten e All Star? Nem pensar, classe média já sofria há 30 anos.
Por decreto, acabou-se com a concorrência dos importados, santo Delfim Netto.
E como faz? Faz tudo aqui dentro mesmo.
Gera-se empregos, estimula-se o desenvolvimento de tecnologias 100% nacionais e pronto.
Certo?
Errado.
Aprender sozinho a fazer o que já fazem melhor lá fora, é desperdício de esforços, tempo e dinheiro.
E sucateou boa parte de nossa indústria.
Foi um período repleto de produtos de qualidade medíocre, se comparado com o que havia disponível no mundo.
Criar essa ilha de produção 100% nacional representou anos de prejuízo para diversos setores da nossa economia. À duras penas aprendemos que não somos capazes de conceber e produzir de tudo. Sua TV, por exemplo, provavelmente é montada no Brasil, mas com tecnologia up to date com o resto do mundo, ainda bem.
Mas isso não ocorre com computadores. Para o governo, você ainda não tem direito de comprar, digamos, um Mac por um preço com impostos razoáveis. A miopia da defesa de mercado ainda existe, nesse caso.
Com os tabletes, então, o problema é ainda mais evidente. 80% dos tabletes no Brasil foram comprados fora. Por que? porque os preços para comprar aqui estão fora da realidade mundial, tamanha a tributação. No que se refere a tabletes, portanto, vivemos nos anos 70.
E para lembrar ainda mais desse período, a Semp Toshiba está desenvolvendo um tablete Android 2.2 (nem sequer Honeycomb), aqui no Brasil. É um tijolão de 700g com bateria para 6.5 horas e 16 GB. Será entregue para a polícia e para estudantes.
Muitos míopes dirão: ótimo! Criamos nossa própria tecnologia e possibilitamos que o produto chegue às mãos de quem não conseguiria comprar o importado.
Certo?
Errado de novo.
O iMXT myPad vai custar cerca de R$ 1.500. Pesado, grosso como 3 galaxys juntos e caro.
Para que isso? Por que não trazer iPads ou Galaxy para nossos estudantes e policiais, livres de impostos?
Baixar impostos, subsidiar produtos de qualidade, ao invés de se iludir com a ideia socialistóide de que estamos nos inserindo no mercado gerador de tecnologias.
Trinta anos se passaram e esse país ainda reinventa a roda com a mesma incompetência.