Preencha aqui com sua falta de ética.
No programa A Liga de hoje, a rede de lojas Zara foi acusada de valer-se de trabalho escravo.
As acusações de trabalho escravo no mundo da moda não são novidade para ninguém.
Num dos documentários de Michael Moore, o próprio presidente da Nike americana afirmou que teria prazer em abrir uma fábrica no EUA se Moore encontrasse americanos dispostos a trabalhar por 4 dólares a hora.
Moore encontrou. E nada mudou (alias, como se a solução fosse mesmo encontrar quase-escravos voluntários, tão arraigada que está a cultura).
Se você realmente deseja boicotar as marcas que utilizam mão de obra escrava ou quase-escrava, prepare-se para andar nu daqui para frente. Experimente buscar no Google <Marca> Slave Labour, substituindo <Marca> por qualquer grande marca fashion. Desafio você a encontrar uma única notícia de alguma marca que tenha banido o trabalho escravo.
E por que?
Porque, lamentavelmente, vivemos numa era onde cada Indústria encontrou seu próprio ethos. Sua própria “zona de livre comércio ético” particular para agradar seus acionistas. E no caso da indústria da moda, lamentavelmente, é o trabalho escravo.
Em nome do lucro final, cada indústria burla, a sua maneira, alguma moral.
Ou você acha que os lucros estratosféricos [mesmo em crise] dos Bancos a custa do dinheiro de cada cliente é menos amoral que o trabalho escravo da Zara?
Ou você acha que a indústria farmaceutica fazendo experimentos em animais é menos amoral que o trabalho escravo da Zara?
Ou você acha que os trangênicos da indústria alimentícia são menos amorais que o trabalho escravo da Zara?
E isso não tem absolutamente nada a ver com o custo final de cada mercadoria ou serviço.
Essa é a ética do novo milênio. A mais-valia-menos-moral moderna.
Cabe a cada Indústria apertar o cinto no que é menos aparente, no que incomoda menos seus próprios líderes. Sejam as economias dos pobres, o estomago dos famintos, os animais de laboratório, as crianças da India.
E note que com o trabalho escravo da Zara seu sapato não vai custar menos.
O saldo de cada salvo-conduto-ético-auto-aplicado não vai para o consumidor final. Vai para o acionista. Vai, ironicamente, para aqueles que teriam o poder, se motivados, de acabar com a pouca vergonha.
Quem ganha com isso é o acionista. Do banco, da indústria farmaceutica, da indústria alimenticia e, claro, da moda.
É mesmo o pior dos mundos. E vivemos felizes para sempre.